Em 2026, o cenário da computação em nuvem privada na Espanha está passando por uma transformação significativa, destacando-se não apenas pela capacidade ou virtualização dos serviços, mas também como um componente essencial da soberania digital. Este movimento é impulsionado por três fatores interdependentes: a regulamentação europeia, o aumento do risco geopolítico e a expansão dos casos de uso da inteligência artificial (IA), que exigem uma reflexão cuidadosa sobre a localização dos dados, a governança e a jurisdição onde são processados.
Diante desse novo contexto, muitas organizações espanholas, especialmente aquelas em setores regulados, estão priorizando arquiteturas de nuvem privada ou híbrida. Essa escolha visa manter o controle operacional, reduzir exposições legais e reforçar a resiliência. Provedores locais com forte presença europeia estão se tornando cada vez mais relevantes neste cenário.
O mercado de nuvem privada, que antes era associado principalmente ao controle e à personalização, está se transformando em um espaço onde as preocupações jurídicas estão em primeiro plano. Em 2026, as organizações não estão mais simplesmente buscando “uma nuvem”, mas sim soluções que garantam a localização dos dados, traçabilidade, auditoria e a continuidade dos negócios, além da capacidade de demonstrar conformidade.
Os clientes têm se tornado mais exigentes e já não se contentam com propostas padronizadas. Tendências de compras estão se movendo para solicitações mais específicas, tais como a localização clara dos dados e do tratamento, isolamento seguro, controles de segurança verificáveis e garantias de resiliência. Isso demonstra uma transformação dos critérios de compra, que agora incluem aspectos técnicos e jurídicos.
Nesse cenário, o governo espanhol está promovendo estratégias de digitalização, orientadas por iniciativas como a “Lista de Confiança de Espaços de Dados”, que é projetada para identificar provedores que atendem a rigorosos critérios técnicos e de segurança. Essa abordagem institucional está moldando a forma como as organizações espanhóis adquirem tecnologia, particularmente em áreas com financiamento público ou requisitos setoriais.
Embora a discussão sobre nuvem privada e pública continue a polarizar o debate, a realidade observada em 2026 é que o modelo híbrido se tornou predominante. Muitas empresas estão adotando uma abordagem que combina o uso de nuvem privada para dados sensíveis e serviços públicos para aplicações que podem ser melhor atendidas por soluções escaláveis.
Por fim, grandes provedores globais continuam a desempenhar um papel importante, principalmente na escalabilidade dos serviços e no aproveitamento de capacidades específicas. No entanto, a ênfase agora está em contratos que consideram a região e as exigências de soberania, destacando a necessidade de uma abordagem cuidadosa na escolha de provedores.





