O governo da Nicarágua está em sua mira por financiar a repressão de opositores utilizando fundos públicos desviados e por perseguir exilados através de uma rede de vigilância internacional, de acordo com um relatório do Grupo de Especialistas em Direitos Humanos da ONU. O documento, apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, requer que a administração de Daniel Ortega e Rosario Murillo promova a responsabilidade e um ambiente cívico saudável, além de garantir os direitos de todos os nicaraguenses, incluindo aqueles que vivem fora do país.
Jean-Michael Simon, presidente do Grupo, criticou a repressão e a corrupção que se tornaram parte da governança na Nicarágua. Ele destacou que a perseguição política é um empreendimento estatal, realizado por meio de instituições governamentais e amplificado por ações que transcendem as fronteiras nicaraguenses. O relatório, que se baseou em numerosas entrevistas e documentos, revela que desde 2018, recursos destinados ao bem-estar social foram redirecionados para a repressão, financiamento de grupos armados e operações de segurança.
Além disso, o documento menciona operações violentas que foram apoiadas para reprimir manifestações em 2018, exemplificadas pela “Operação Limpeza”. Os especialistas também notaram casos de assassinatos de críticos exilados e o uso de ferramentas de vigilância com a colaboração de diversas autoridades estatais, visando monitorar nicaraguenses que vivem no exterior.
O governo nicaraguense retirou a nacionalidade de 452 pessoas, tornando-as apátridas na prática e dificultando seu retorno ao país. As vítimas enfrentam campanhas de assédio e vigilância, além de sofrerem represálias contra seus familiares que permanecem na Nicarágua. A perseguição se estende a defensoras dos direitos humanos e à comunidade LGBTIQ+, que enfrentam violência de gênero e humilhações.
Diante desse cenário, o Grupo de Especialistas enfatizou a urgência de responsabilização internacional e a mobilização de uma estrutura abrangente que inclua jurisdição universal e sanções. O documento conclama o governo nicaraguense a desmantelar as estruturas de repressão, revogar reformas que limitem direitos e garantir a libertação de todos os detidos por motivos políticos, além de assegurar acesso a organizações internacionais de monitoramento.
Origem: Nações Unidas






