A startup americana inova no setor de IA com fotônica
A nova startup Neurophos, com sede em Austin, Texas, está desafiando os limites da computação tradicional ao incorporar a fotônica — a computação com luz — em sua proposta para o futuro do hardware de Inteligência Artificial (IA). A empresa anunciou uma rodada de financiamento Série A no valor de 110 milhões de dólares (ou 118 milhões considerando aportes anteriores) com o objetivo de desenvolver suas Unidades de Processamento Óptico (OPUs), aceleradores projetados especificamente para inferência de IA, que prometem saltos significativos de desempenho e eficiência se comparados a chips de silício convencionais.
Neurophos justifica sua abordagem com a afirmação de que a indústria está enfrentando limites físicos e operacionais, especialmente o que chamam de “muro de potência”, que se tornou um impedimento real nas operações de data centers devido a questões de disponibilidade elétrica, refrigeração e custo total. O movimento subsequente, impulsionado por grandes empresas e startups, está focado em explorar alternativas, como a fotônica de silício, que oferece eficiência no movimento de dados e operação de sistemas avançados.
As OPUs, ao contrário de GPUs tradicionais, utilizam propriedades físicas da luz para realizar operações críticas para IA, como multiplicações de matrizes, tendo como principal inovação a integração de mais de um milhão de elementos de processamento óptico em um único chip. Assim, a Neurophos se posiciona como uma solução potencialmente disruptiva no setor, prometendo eficiência energética ao realizar cálculos em domínio óptico.
Em termos de desempenho, a empresa apresenta configurações específicas como o módulo Tulkas T100 OPU, que oferece impressionantes 0,47 EXAOPS em operações densas FP4/INT4, com uma eficiência de 235 TOPS/W. Por outro lado, seu sistema servidor oferece 2 EXAOPS, com suporte a larga largura de banda de memória.
Contudo, a comparação entre medidas de desempenho como EXAOPS e petaFLOPS exige cuidado, já que a eficácia real dependerá de múltiplos fatores, como as cargas de trabalho, precisão e latências. A Neurophos ressalta que sua tecnologia visa ser uma solução de “drop-in” para centros de dados existentes, evocando a possibilidade de um aumento de até 100 vezes em desempenho e eficiência em comparação aos chips dominantes atualmente.
O financiamento de grandes nomes como Gates Frontier e M12, do fundo da Microsoft, reforça a percepção de que a questão da eficiência energética na computação não é apenas uma otimização, mas sim um problema estratégico no setor. Com o ecossistema se movendo em direção à fotônica, a Neurophos poderá pavimentar o caminho para uma nova era de hardware que potencialmente mudará o panorama da inteligência artificial como a conhecemos.
Por fim, o sucesso das OPUs dependerá de três fatores críticos: a efetividade em software e adoção prática, a fiabilidade e controle do sistema, e a integração com memória e rede. Se a Neurophos cumprir suas promessas e conseguir escalar sua tecnologia, uma combinação de GPUs, aceleradores especializados e computação fotônica poderá se tornar a norma, em vez de um simples substituto.





