Elon Musk, o CEO da Tesla, voltou a apresentar uma proposta ambiciosa que promete agitar o setor de tecnologia: a construção de uma mega-fábrica de semicondutores, informalmente chamada de “Terafab”. Segundo Musk, para que a Tesla possa realmente expandir suas iniciativas em inteligência artificial (IA) aplicadas à condução autônoma e robótica, não basta apenas projetar chips; é necessário garantir a produção em larga escala, o que atualmente depende de terceiros.
A ideia por trás da “Terafab” é a criação de uma instalação integrada que abrigue, sob o mesmo teto, a lógica, a memória e o empacotamento avançado. Em outras palavras, a proposta não se limita à fabricação de chips, mas também busca resolver dois gargalos críticos na área de IA: a capacidade e a largura de banda da memória, além do empacotamento, que envolve densidade, eficiência térmica e potência.
Durante a apresentação, Musk compartilhou uma visão de uma unidade com capacidade para produzir 100.000 wafers por mês, com a possibilidade de expandir para um “complexo” de até dez instalações semelhantes. Essa abordagem sugere a intenção de construir não apenas mais uma fábrica, mas uma infraestrutura nacional com implicações de talento, fornecimento e geopolítica.
O porquê dessa escala está relacionado ao volume de produção: a Tesla não compete apenas em desempenho, mas também em quantidade. Com a inclusão de frotas de veículos, treinamento de software de autonomia e robôs humanoides, os chips se tornam componentes cruciais que podem limitar o crescimento da empresa.
Entretanto, o mercado tende a ver a “Terafab” mais como uma sinalização estratégica do que como um plano definitivo. Atualmente, a Tesla já opera com uma estratégia de múltiplos fornecedores para seus chips AI5 e AI6, contando com nomes como Samsung e TSMC para mitigar riscos de capacidade e custo. Musk também mencionou a possibilidade de parceria com a Intel, um movimento que poderia se alinhar à estratégia da empresa em conquistar grandes clientes para sua operação de foundry.
A interpretação mais prática é que a Tesla está avançando em duas frentes simultaneamente: a curto e médio prazo, ao assegurar o fornecimento com grandes manufacturers de chips, e a longo prazo, indicando que, caso haja uma pressão nos suprimentos, a empresa considerará aumentar sua integração vertical, chegando até mesmo à construção de sua própria fábrica.
No entanto, a execução desse projeto não está isenta de desafios. Construir capacidade de semicondutores demanda não apenas investimento em capital, mas também a coordenação de um ecossistema complexo. Com um cenário atual em que o financiamento para infraestrutura em tecnologia já está em alta devido à corrida pela IA, até mesmo os números de investimento “normais” da Tesla estão se alterando.
Uma “Terafab” completa, se finalmente vier a se concretizar, será um projeto de anos, com impactos diretos nas margens e prioridades da Tesla, e provavelmente exigirá parcerias, incentivos e compromissos de compra em larga escala.
O que está claro é que o espaço fabril tornou-se o novo campo de batalha no setor de tecnologia. A demanda por IA não se decide apenas com GPUs ou software, mas também em capacidade fabril, memória e empacotamento, além da capacidade de garantir a continuidade do fornecimento em um mercado competitivo.






