Moore Threads, uma das empresas que busca liderar a alternativa chinesa aos grandes fornecedores ocidentais de computação para Inteligência Artificial, deu um passo audacioso ao lançar um serviço de programação assistida por IA, denominado “AI Coding Plan”. Com sede em Pequim, a companhia visa expandir suas operações além da venda de GPUs, buscando também controlar a camada de software que transforma o poder de processamento em produtividade para desenvolvedores.
Este movimento ocorre em um contexto onde a programação com auxílio de modelos de linguagem está se tornando uma arena estratégica. No Ocidente, ferramentas como GitHub Copilot tornaram-se comuns entre os desenvolvedores, enquanto, na China, a competição é dupla: busca-se não apenas oferecer uma experiência competitiva, mas também reduzir as dependências externas em um cenário marcado por restrições comerciais e geopolítica tecnológica.
A proposta da Moore Threads é clara: a vantagem competitiva não se baseia apenas no desempenho do hardware, mas também na criação de plataformas completas que incorporam infraestrutura, modelos, ferramentas de trabalho e integração com fluxos reais. O “AI Coding Plan” é apresentado como uma suíte de desenvolvimento “vertical”, fundamentada em hardware nacional e em um modelo treinado para tarefas de programação.
Este serviço utiliza a GPU MTT S5000, que se destaca por sua arquitetura Pinghu. Informações recentes indicam que esse chip começou a ser produzido em 2025 e se tornou um dos motores comerciais da empresa, com previsões de crescimento de receita triplicadas, impulsionadas pela adoção do S5000 em clusters voltados para IA. Os benefícios de um software que maximiza a utilidade da computação local tornam-se cada vez mais relevantes, especialmente quando o acesso a aceleradores de ponta se torna mais complexo ou caro.
A compatibilidade com ferramentas já estabelecidas no mercado é um dos principais apelos do anúncio. A Moore Threads assegurou que seu plano pode coexistir com ambientes conhecidos pelos desenvolvedores, permitindo que os usuários integrem o novo serviço sem a necessidade de começar do zero. Essa estratégia visa minimizar o custo psicológico e técnico da mudança, fato que pode acelerar a adoção do novo serviço.
No que diz respeito ao modelo, o “AI Coding Plan” se apoia no GLM-4.7, desenvolvido pela Zhipu AI. Este modelo é projetado para cenários reais de desenvolvimento e se destaca em avaliações e benchmarks, enfatizando a importância da qualidade do modelo em tarefas longas, navegação por bases de código e execução de comandos.
Moore Threads entra em um mercado competitivo, onde gigantes como Alibaba também já estão investindo na programação assistida, cada vez mais percebida como uma solução não experimental. A companhia chinesa se posiciona para não apenas competir com outros serviços, mas também para se tornar uma referência no fluxo de trabalho de programação.
Por fim, essa iniciativa sugere uma mudança de identidade da Moore Threads, passando de fabricante de chips a fornecedora de plataformas, o que pode aumentar suas margens de lucro e reforçar a narrativa de autonomia tecnológica. No entanto, essa transformação traz novas responsabilidades, principalmente relacionadas ao suporte e segurança do produto. Em um cenário onde a IA está se inserindo cada vez mais na rotina dos desenvolvedores, garantir a confiabilidade do serviço será crucial para o sucesso da Moore Threads.





