Moçambique enfrenta uma grave crise humanitária em meio à época chuvosa que já resultou na destruição de cerca de 5 mil casas e deixou 82 mil outras inundadas. Além disso, 56 unidades sanitárias foram afetadas, contribuindo para um quadro alarmante de saúde pública. As autoridades nacionais confirmaram a morte de pelo menos 120 pessoas, enquanto seis permanecem desaparecidas e 99 estão feridas.
De acordo com o porta-voz do governo, Inocêncio Impissa, o orçamento previamente aprovado não atende às crescentes necessidades dos deslocados e das comunidades afetadas. O governo estima que seja necessário um reforço orçamentário de aproximadamente US$ 6,6 mil milhões para fornecer assistência humanitária, principalmente para áreas críticas como saúde e alimentação.
A crise em Moçambique exacerba vulnerabilidades criadas por ciclones anteriores, com o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) ressaltando que a situação atual também agrava um surto de cólera em curso. A agência aponta que são necessários pelo menos US$ 11,5 milhões para uma resposta humanitária efetiva, mas até agora apenas 6% desse montante foi arrecadado, resultando em um déficit significativo.
Os riscos à saúde aumentaram e a prestação de serviços relacionados à saúde sexual e reprodutiva tem sido seriamente comprometida. Dados do Unfpa indicam que entre os afetados, cerca de 164 mil mulheres estão em idade reprodutiva, sendo que ao menos 11.532 estão grávidas. Em resposta a essa situação, mais de 3,5 mil kits de dignidade estão sendo mobilizados na província de Gaza, com o objetivo de garantir a higiene e a segurança das mulheres e meninas.
Gaza, a mais afetada pelas chuvas, recebeu 20 novas tendas de emergência para servir como instalações temporárias de saúde, dada a sobrecarga das estruturas existentes. O Unfpa Moçambique inicia sua resposta com os recursos disponíveis, mas um apoio adicional é essencial para que possam atender de forma eficaz as necessidades emergenciais da população.
Origem: Nações Unidas






