O Escritório de Direitos Humanos da ONU está investigando casos alarmantes de assassinatos em massa e execuções sumárias de civis no Sudão, especificamente na cidade de El Fasher. Durante uma sessão do Conselho de Direitos Humanos, o alto comissário Volker Turk revelou uma série de crimes contra a humanidade, incluindo estupros, tortura, detenções e desaparecimentos forçados. Turk ressaltou a gravidade da situação, evidenciando que muitos dos assassinatos ocorreram contra pessoas sem envolvimento nos confrontos armados.
A situação em El Fasher tem atraído a atenção da comunidade internacional, onde um relatório da ONU será encaminhado ao Tribunal Penal Internacional para relatar os supostos crimes de guerra. Esse documento, a ser apresentado nas próximas semanas, fornecerá detalhes sobre as atrocidades cometidas durante as ofensivas das Forças de Apoio Rápido (RSF) contra as Forças Armadas Sudanesas (SAF) na cidade.
Além da violência física, as RSF têm sido acusadas de perpetrar atos de violência sexual, especialmente contra mulheres e meninas em fuga. Muitas dessas vítimas relataram terem sido sequestradas e obrigadas a pagar resgates exorbitantes para serem libertadas. Os registros indicam que os ataques foram motivados por etnia, com um foco particular em membros do grupo Zaghawa, considerado não árabe.
Com um número crescente de desaparecidos e detenções em condições inumanas, a situação em El Fasher é desoladora. Relatos de ex-detidos indicam que mais de 2 mil homens foram mantidos em condições severas, com muitos deles supostamente mortos sob custódia. O recrutamento forçado de crianças pelas RSF também foi documentado, levantando preocupações sobre a utilização de menores em conflitos armados.
Em sua declaração, Turk fez um apelo aos países do mundo para que reflitam sobre as medidas que poderiam ter sido adotadas para prevenir essa tragédia e se comprometam a agir para evitar a repetição de tais horrores em outras regiões do Sudão. Ele enfatizou que a chave para a paz sustentável reside nas mãos do povo sudanês e que a luta por liberdade e justiça continua viva em meio ao conflito.
Origem: Nações Unidas






