Meta cria nova unidade Meta Compute para expansão em inteligência artificial
A Meta, empresa de tecnologia conhecida por suas inovações, anunciou a criação de uma nova divisão chamada Meta Compute, com o objetivo de direcionar sua ambição na área de inteligência artificial (IA) de forma mais estruturada. Ao longo da próxima década, a companhia pretende construir “dezenas de gigawatts” de capacidade em seus centros de dados, de acordo com palavras atribuídas ao CEO Mark Zuckerberg. Caso os planos sejam implementados, a Meta se posicionará entre os líderes globais em termos de demanda energética e capacidade computacional.
A nova unidade se propõe a transformar a construção de capacidade em uma disciplina corporativa distinta, com equipes focadas em planejamento a longo prazo, parcerias com fornecedores, modelos de financiamento e coordenação com governos. A infraestrutura de IA, cada vez mais, se revela uma vantagem competitiva essencial.
Meta Compute simboliza um desdobramento importante dentro da empresa, uma vez que separa a corrida por algoritmos e talentos da corrida por recursos físicos, como energia, espaço e sistemas de refrigeração. A divisão será coadministrada por Santosh Janardhan, responsável pela infraestrutura global, e Daniel Gross, que se concentrará em parcerias e lógica econômica das implementações. Além disso, Dina Powell McCormick foi contratada para trabalhar na construção de acordos com governos e outros stakeholders.
O movemento ocorre em um contexto em que as grandes empresas tecnológicas percebem uma realidade desafiadora: apenas adquirir GPUs não é suficiente. A escalabilidade agora depende de uma série de fatores, incluindo permissões, disponibilidade de eletricidade, cadeias de suprimento e aceitação social dos centros de dados.
Nos últimos meses, a tendência no setor tem sido assegurar capacidade de forma imediata, resultando em uma multiplicação de contratos de computação e infraestrutura com empresas terceiras. No caso da Meta, a busca por contratos com fornecedores de GPU em nuvem está se intensificando, assim como negociações para garantir o fornecimento e prazos. Simultaneamente, a empresa investiga opções de financiamento para grandes complexos, onde os custos podem ultrapassar bilhões de dólares.
No entanto, essa expansão traz consigo desafios significativos. Os centros de dados, que antes eram vistos como “infraestrutura invisível”, estão agora no centro de um debate público intenso, focado no consumo de energia, uso de água e impacto urbano. Para construir centros de dados em larga escala, as empresas precisarão não apenas de engenharia, mas também de diplomacia e uma narrativa que destaque benefícios locais.
A Meta parece estar ciente das críticas e, por isso, há um esforço para incluir perfis que trabalham com relações institucionais e planejamento estratégico. Essa mudança de estratégia sinaliza que a inteligência artificial está levando as empresas de tecnologia a operar como indústrias de infraestrutura.
Com os novos planos, ter “dezena de gigawatts” de capacidade implica uma mudança na forma como os data centers são concebidos. Essa evolução requer planejamento elétrico abrangente, reorganização das cadeias de suprimento e novos modelos econômicos e de governança, focados em transparência e aceitação social.
A Meta, com o lançamento do Meta Compute, mostra que está se adaptando a um novo cenário em que a infraestrutura é fundamental para a evolução da inteligência artificial.





