Europa inicia 2026 com um panorama impactante no setor de infraestrutura digital, onde a competição por centros de dados deixou de ser apenas uma questão de espaço e agora foca em fatores críticos como “energia garantida, prazos de construção e capacidade voltada para inteligência artificial”. Durante o mês de janeiro, diversos anúncios e projetos destacaram a importância crescente de países como Espanha, que se posiciona como um hub regional, e Finlândia, que se firma como destino para grandes campus de dados.
O motor da demanda neste cenário é o tempo e a eletricidade. Muitas empresas buscam estratégias para otimizar a implantação de novos centros, como aquisições, reestruturação de edificações e acordos para garantir a potência elétrica necessária. Os territórios, por sua vez, competem pela atração de investimentos, oferecendo terrenos e conexões à rede elétrica.
### Península Ibérica: Compras e Hiperescala
Portugal e Espanha vivenciaram um janeiro repleto de operações significativas. A Templus anunciou a aquisição de três centros de dados do Grupo Aire em Lisboa, Madrid e Valencia/Paterna, adicionando 6,5 MW de capacidade instalada. Ademais, a empresa iniciou as obras do primeiro centro de dados em Ceuta, um projeto Tier III começando com 1,2 MW, podendo ser ampliado para 2,4 MW.
Outro destaque foi a Box2Bit, que revelou o projeto Epilon em Épila, Zaragoza, com um investimento anunciado de 3,9 bilhões de euros, projetado para operar em fases e com uma capacidade que pode chegar a 520 MW. NOSTRUM Data Centers também marcou presença ao anunciar planos para desenvolver seis campus na Espanha com uma potência total de até 800 MW, acomodando as crescentes necessidades do mercado.
Os projetos não se limitaram a operações de hiperescalabilidade. A Telefónica confirmou seus planos de converter cerca de 100 centrais em mini centros de dados (edge), prevendo a operação de 17 nodos até 2026. Esse enfoque reflete uma preocupação crescente com a latência e a soberania dos dados.
### França e a Infraestrutura Soberana
Fora da Península, a França também fez sua marca com o campus BXIA em Bordeaux, um projeto que incluirá cinco edifícios e tem uma capacidade de 250 MW IT. Este campus se alinha à crescente tendência europeia em direção a uma infraestrutura voltada para a “IA soberana”.
### Finlândia: Um Polo Atraente
A Finlândia não se mostrou indiferente à corrida por centros de dados. O mês de janeiro trouxe planos da DayOne para um campus em Klaukkala, com capacidade de até 560 MW, enquanto a Bitzero anunciou capacidades voltadas para IA em Kokemäki e Namsskogan. O interesse no norte da Europa parece crescer ainda mais, com a Google adquirindo 900 hectares na região de Vaala para um futuro desenvolvimento de centros de dados.
### Reino Unido: Novas Estratégias Urbanas
No Reino Unido, a reconversão de solo industrial se destacou como uma estratégia para atender à demanda sem criar novas áreas urbanas. A AWS apresentou seu projeto em Didcot, enquanto a Carbon3.ai propôs a transformação do antigo complexo químico Octel em um centro de dados voltado para IA em Anglesey.
Com esses desenvolvimentos, o cenário da infraestrutura digital na Europa se desenha cada vez mais influente, com diferentes países competindo para se consolidar como líderes neste mercado emergente, onde a agilidade e a eficiência no fornecimento de energia são determinantes.






