Nesta quarta-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo urgente pela proteção de civis em meio aos recentes ataques aéreos israelenses e norte-americanos contra o Irã, que têm exacerbado a violência e a instabilidade no Oriente Médio. A crise atual tem intensificado o deslocamento de pessoas na região, uma vez que os conflitos já afetam diversas nações vizinhas.
Em uma coletiva de imprensa em Genebra, a porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Ravina Shamdasani, expressou sua indignação sobre um ataque ocorrido no último sábado, que resultou em mortes e ferimentos de várias meninas em uma escola primária na cidade de Minab, no sul do Irã. As dolorosas cenas das mochilas manchadas de sangue, segundo Shamdasani, refletem o desespero e a crueldade do conflito. A representante da ONU enfatizou a necessidade de uma investigação rápida e imparcial, solicitando que as forças responsáveis pelo ataque divulguem suas conclusões e garanta a reparação das vítimas.
Além disso, Shamdasani manifestou preocupação com a proteção das liberdades individuais dos iranianos diante do histórico de repressão violenta do governo. Relatou que, desde o início do conflito, o Irã tem respondido aos ataques com retaliações contra Israel e aliados dos EUA, afetando não apenas o país persa, mas também 12 outras nações, resultando em destruição generalizada de infraestrutura.
A situação também se agrava no Líbano, onde tropas israelenses foram descritas como tendo avançado para o sul após ataques do Hezbollah. Babar Baloch, porta-voz da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), informou que tensões têm gerado deslocamentos massivos no sul do Líbano, com Israel emitindo alertas de evacuação para 53 aldeias. Estima-se que cerca de 30 mil pessoas estejam abrigadas em centros coletivos, enquanto muitos outros se encontram em situação de vulnerabilidade, dormindo nas ruas ou presos em engarrafamentos.
A escalada da violência também impacta as rotas de fornecimento humanitário na região, com graves interrupções no transporte de mercadorias. Samer Abdel Jaber, diretor regional do Programa Mundial de Alimentos (WFP), destacou os gargalos nas rotas do Estreito de Ormuz e Mar Vermelho, o que tem implicações diretas no acesso a alimentos para as populações afetadas. Ele defendeu a necessidade de alternativas logísticas, como a utilização de fornecedores em países vizinhos, para mitigar os danos causados pelo conflito e garantir ajuda humanitária.
Origem: Nações Unidas






