Dezenas de milhares de pessoas foram mortas e muitas outras deslocadas na região de Darfur, Sudão, desde o início dos confrontos entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF) em abril de 2023. Um novo relatório da Missão Independente Internacional de Apuração de Fatos para o Sudão revelou que as RSF cometeram atos de violência étnica, assassinatos, violência sexual generalizada e desaparecimentos forçados durante a captura de El Fasher em outubro de 2025. Os atos foram descritos como apresentando “características de genocídio” contra as comunidades Zaghawa e Fur.
O presidente da Missão, Mohamed Chande Othman, afirmou que a escala e a organização dos crimes sugerem que não foram meros excessos de guerra, mas parte de uma operação deliberada. O relatório documentou pelo menos três atos de genocídio: matar membros de um grupo étnico protegido, causar danos severos e criar condições de vida que levem à destruição física da população-alvo.
A missão destacou que o cerco de 18 meses a El Fasher foi deliberadamente imposto, levando à privação de alimentos, água e cuidados médicos fundamentais, o que prejudicou severamente a capacidade da população para sobreviver. Além disso, evidências de ataques direcionados com base na identidade étnica, de gênero e política das vítimas foram claras.
Surviventes relataram ameaças explícitas feitas por combatentes das RSF, que manifestaram intenção de eliminar as comunidades não árabes. O relatório também apontou que a retórica dos perpetradores, que clamava pela eliminação de grupos étnicos, é considerada uma evidência de intenção genocida.
Conforme o conflito se espalha, a Missão fez um chamado urgente para proteção civil, reiterando a necessidade de responsabilização dos autores de tais atrocidades. O Conselho de Direitos Humanos da ONU, que estabeleceu a missão em 2023, irá receber um relatório mais detalhado em fevereiro de 2026, em busca de garantir que a justiça seja feita.
Origem: Nações Unidas





