A competição por chips de IA: TSMC e Intel se destacam no campo do empacotamento avançado
Nos últimos anos, a disputa pelo domínio no mercado de semiconductores tem se concentrado frequentemente na litografia e na fabricação de chips, mas a explosão da Inteligência Artificial (IA) trouxe à tona um aspecto crucial frequentemente negligenciado: o empacotamento avançado. Em meio a essa nova dinâmica, a TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) tem se afirmado como líder com sua tecnologia CoWoS, enquanto a Intel busca se estabelecer no setor com suas soluções EMIB e EMIB-T.
A CoWoS, tecnologia da TSMC, é projetada para computação de alto desempenho, integrando chiplets lógicos com memória HBM (High Bandwidth Memory), e é diretamente relacionada a aplicações de IA e supercomputação. Em contrapartida, a Intel apresenta o EMIB como um sistema 2.5D que une múltiplos chips complexos dentro de um mesmo encapsulamento, já empregado na produção desde 2017. Com a introdução do EMIB-T, a Intel adiciona TSVs (Through-Silicon Vias) para fortalecer a integração e melhorar a compatibilidade entre diferentes esquemas de empacotamento.
Esse novo cenário revela que o debate não se limita mais à fabricação de chips, mas se expande para questões de integração, velocidade e robustez da cadeia de suprimentos. A NIST (National Institute of Standards and Technology) dos EUA ressalta que investimentos em semiconductores não terão sucesso sem um forte apoio em empacotamento avançado. Isso revela uma nova realidade: a complexidade dos chips modernos não está apenas na fabricação das wafers, mas também no modo como eles são montados e conectados.
Intensificando sua presença, a Intel inaugurou a Fab 9 em Rio Rancho, Novo México, em janeiro de 2024, representando uma aposta de US$ 3,5 bilhões para a produção de empacotamento avançado 3D. Essa ação marca um passo significativo na capacidade industrial da Intel nos Estados Unidos, destacando-se em um cenário onde a capacidade local e a flexibilidade são mais importantes do que nunca.
A crescente demanda por chips de alto desempenho, impulsionada pela IA generativa, não se resume apenas à quantidade de wafers disponíveis, mas exige também interconexões de alta densidade, memórias HBM e eficiência energética em projetos cada vez mais sofisticados. Assim, o empacotamento avançado torna-se uma parte estratégica do produto, com a TSMC garantindo sua posição ao expandir seus investimentos nos EUA, com a promessa de US$ 165 bilhões destinados a novas instalações de empacotamento avançado no Arizona.
Enquanto isso, a Intel procura destacar as vantagens de suas soluções EMIB, que oferecem uma abordagem mais flexível e econômica na conexão de múltiplos dies. Isso coloca a empresa em uma posição favorável para atrair clientes que buscam maior resiliência na cadeia de suprimentos, uma questão crítica em um mercado cada vez mais globalizado e instável.
No entanto, é essencial separar os fatos das especulações no setor. A competitividade nesse mercado não se limita apenas à tecnologia de fabricação de chips, mas se refere também à proximidade industrial, à capacidade de integração e à oferta de uma cadeia de suprimentos confiável. Enquanto a TSMC continua sendo a referência em empacotamento avançado, a Intel está determinada a solidificar a presença do EMIB, proporcionando assim uma alternativa robusta e estratégica no novo panorama da inteligência artificial.






