Recentemente, a indústria de chips enfrentou um desafio crescente: a entrega de energia elétrica. À medida que os processadores se tornam mais densos e rápidos, garantir uma tensão estável para milhões de transistores que operam simultaneamente se tornou um problema significativo, conhecido como “voltage droop”. Para lidar com essa questão, a Intel e sua divisão, Intel Foundry, anunciaram uma inovação importante: novos materiais para capacitores integrados metal-isolante-metal (MIM), que prometem melhorar a entrega de energia dentro dos próprios chips.
Durante uma apresentação, os pesquisadores da Intel mostraram três novos materiais MIM com densidades de capacitância intrínseca notavelmente superiores ao padrão atual. Os novos materiais incluem o Óxido Ferroelectrico de Hafnio-Zircônio (HZO), que alcança até 80 fF/µm²; o Óxido de Titânio (TiO), que chega a aproximadamente 80 fF/µm²; e o Óxido de Titanato de Estrôncio (STO), que apresenta a impressionante densidade de 98 fF/µm². Esses capacitores funcionam como pequenos reservatórios de carga, fornecendo energia instantaneamente quando há picos de demanda da CPU ou aceleradores, ajudando a manter a tensão estável.
A importância dessa inovação se destaca especialmente em ambientes de datacenters, onde o desempenho por watt é crucial, especialmente para cargas intensivas em Inteligência Artificial. Uma entrega de energia mais eficiente não apenas melhora o desempenho, mas também facilita transições rápidas para estados de baixo consumo, aumentando a autonomia em dispositivos móveis.
Intel também enfatizou que essas melhorias podem ser alcançadas sem complicar o processo de fabricação, a tradicional solução de aumentar a complexidade com camadas adicionais. Essa nova abordagem promete permitir melhorias significativas em várias gerações de chips, sem a necessidade de reinventar os fluxos de produção.
O anúncio marca um passo significativo em direção à superação das limitações impostas pelo “voltage droop”, um fator crítico que pode determinar o desempenho e a eficiência energética de chips de última geração. No entanto, a implementação desses novos materiais em produtos comerciais ainda está em desenvolvimento, com expectativas de que possam ser introduzidos em futuras linhas de produção nos próximos anos.






