O crescimento dos agentes de Inteligência Artificial na engenharia de software deixou de ser um experimento para se tornar uma aposta industrial sólida. Esse é o cerne do anúncio da colaboração estratégica entre a Infosys e a Cognition para escalar Devin — apresentado como “o primeiro engenheiro de software com IA” — dentro do ecossistema de desenvolvimento da Infosys e, gradualmente, em projetos para clientes ao redor do mundo.
O acordo, anunciado em 7 de janeiro de 2026, entre São Francisco e Bengaluru, sinaliza uma clara direção para a grande consultoria tecnológica: integrar agentes de desenvolvimento não apenas como assistentes, mas como componentes operacionais dentro de seus modelos de entrega. No centro da aliança está a sinergia entre Devin e o Infosys Topaz Fabric, uma plataforma projetada para unificar infraestrutura, modelos, dados, aplicações e fluxos de trabalho em um ambiente modular prontamente adaptado para agentes.
Após seis meses de utilização de Devin, a Infosys observou melhorias “significativas” em qualidade e eficiência, levando a empresa a decidir integrá-lo em equipes internas e a incluir a ferramenta em entregas a clientes. A relevância deste passo toca um ponto crucial da transformação digital: a modernização dos sistemas não ocorre em “laboratórios”, mas sim em cenários reais que enfrentam a dívida técnica acumulada e dependências históricas. Nesse contexto, Infosys e Cognition visam automatizar trabalho “brownfield” (projetos sobre bases já existentes), diminuir a dívida técnica e reduzir prazos de modernização. Ambas as empresas falam até mesmo em criar “engenheiros virtuais” capazes de lidar com incidentes complexos em produção e tarefas de manutenção que atualmente consomem muitas horas de equipes sêniores.
Para escalar a adoção, as companhias planejam trabalhar em frameworks compartilhados e programas de capacitação que aproximem as capacidades combinadas de engenheiros em diferentes setores. A estratégia inclui, ainda, o desenvolvimento conjunto de soluções setoriais e blueprints para modernização nativa de IA, sustentados por laboratórios de co-inovação.
O Infosys Topaz Fabric não é apenas uma adição de um agente isolado, mas sim uma estrutura que busca dar coerência a um ambiente empresarial cada vez mais fragmentado. A promessa é que as empresas consigam integrar agentes em uma arquitetura modular e segura, evitando que cada equipe adote ferramentas isoladas e difíceis de gerenciar.
Cognition descreve Devin como um colaborador de IA voltado para ampliar a capacidade de engenharia, um agente de programação capaz de colaborar com humanos e assumir tarefas de desenvolvimento com maior autonomia. O objetivo da colaboração com a Infosys é levar Devin de um uso individual para ambientes corporativos complexos, onde o software é desenvolvido com processos e responsabilidades compartilhadas.
O anúncio também revela as primeiras áreas onde o despliegue começará: a prática de Serviços Financeiros da Infosys já utiliza Devin para transformar a entrega de engenharia em setores como banca, pagamentos, mercados de capitais, seguros e gestão patrimonial, selecionados por sua natureza crítica e necessidade constante de evolução.
Entretanto, enquanto os objetivos parecem claros — acelerar o time-to-market, aumentar a produtividade e reduzir os tempos de modernização —, a experiência recente com automação de software mostra que os resultados dependem de como a implantação é feita. Isso levanta a questão de responsabilidades e controle de qualidade, sinalizando que a batalha não é apenas técnica, mas também organizativa, especialmente em relação a sistemas de governança que garantam segurança, auditoria e rastreabilidade.
Com mais de 320.000 colaboradores em 59 países, a Infosys se compromete a demonstrar que a IA agencial pode ser integrada efetivamente na consultoria e na entrega industrial de software, sem se tornar um risco operacional.





