O governo da Índia anunciou um abrangente pacote de investimentos no setor de fabricação de componentes eletrônicos, avaliado em 418,63 bilhões de rúpias (aproximadamente 4,64 bilhões de dólares). Essa iniciativa visa não apenas aumentar a produção local, mas também reduzir a dependência de importações em um setor que se torna cada vez mais estratégico para a economia indiana. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Eletrônica e Tecnologias da Informação e incluem a fabricação de peças essenciais, como carcaças para smartphones e subconjuntos de câmeras.
O plano, que faz parte do Electronics Component Manufacturing Scheme (ECMS), pretende gerar uma produção estimada de 2,58 trilhões de rúpias (cerca de 28,62 bilhões de dólares) e criar aproximadamente 34.000 empregos diretos em oito estados do país. Além disso, a Índia almeja ampliar seu ecossistema de fabricação eletrônica, passando de um volume de 125 bilhões de dólares em 2024-2025 para 500 bilhões de dólares até 2030-2031.
Empresas globais como Samsung e Foxconn se beneficiarão desse movimento, que reforça a intenção da Índia em se estabelecer como um polo tecnológico, minimizando os custos logísticos e o tempo de produção ao ter fornecedores mais próximos. Essa estratégia é uma resposta à demanda crescente por cadeias de suprimento mais resilientes que diversificam a produção, em meio a tensões geopoliticas e desafios econômicos que tornam arriscar-se a depender de uma única nação, como a China, uma opção menos atraente.
Adicionalmente, a Índia se coloca como uma alternativa viável, especialmente à luz dos recentes controles de exportação dos EUA sobre tecnologia avançada destinada à China. O envolvimento da Apple na fabricação de iPhones na Índia, buscando reduzir sua exposição a riscos financeiros relacionados à cadeia de suprimento, exemplifica o movimento crescente em direção a essa nova realidade industrial.
Entretanto, o sucesso desses planos não se limita apenas a investimentos financeiros. A execução eficaz dos projetos, com foco na qualidade e na capacidade produtiva, será crucial para garantir que a Índia não apenas ganhe atenção como um novo centro tecnológico, mas também consiga competir em um cenário global dominado por grandes potências da manufatura.





