Um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena) destaca os impactos significativos que as condições climáticas de 2024 tiveram sobre a oferta de energias renováveis, como solar, eólica e hídrica, além de influenciar a demanda global de eletricidade. Esse estudo surge em um contexto em que a capacidade global de energias renováveis ultrapassou os 4,4 mil gigawatts, indicando uma crescente interligação entre o clima e os sistemas energéticos.
Segundo o relatório, denominado “Energia Renovável Causada pelo Clima e Revisão da Demanda Energética”, as temperaturas globais atingiram níveis recordes, com uma média de 1,55 °C acima dos patamares pré-industriais. Esse aumento tem contribuído para mudanças regionais significativas no potencial de geração de energias renováveis, resultando em uma elevação de 4% na demanda global por energia, quando comparada à média de 1991 a 2020.
A análise também revela que eventos climáticos extremos têm pressionado ainda mais os sistemas energéticos. Os dados indicam variações regionais marcantes: enquanto a África Austral viu um aumento no desempenho da energia eólica e solar, a produção hídrica na região caiu abaixo da média pelo terceiro ano consecutivo, enquanto a demanda por energia atingiu níveis recordes. No Sul da Ásia, déficits na energia eólica e solar foram observados, associados a um aumento significativo na busca por sistemas de refrigeração.
Por outro lado, a África Oriental se destacou com um aumento na produção hidroelétrica devido a chuvas acima da média, enquanto partes da América do Sul enfrentaram uma redução na geração de energia hídrica em meio a condições quentes e secas.
Outro ponto importante do relatório é a avaliação das previsões climáticas sazonais, que passaram a ser um aspecto relevante para o planejamento energético. Os modelos climáticos demonstraram eficácia em prever anomalias na produção solar e na demanda energética, o que se refletiu no aumento da procura por eletricidade em várias regiões da África, antecipando assim a necessidade de uma adaptação nos sistemas energéticos.
A pesquisa enfatiza a necessidade de integrar informações climáticas no planejamento energético, alinhando-se aos compromissos internacionais de aumentar a capacidade de energias renováveis e melhorar a eficiência energética até 2030, conforme os objetivos do Consenso dos Emirados Árabes Unidos da COP28. Para isso, as recomendações incluem o fortalecimento dos sistemas de dados e observação climática e a adoção sistemática de previsões sazonais nas decisões de políticas energéticas, visando a construção de sistemas mais resilientes à variabilidade climática.
Origem: Nações Unidas






