O impacto das mudanças climáticas na América Latina e no Caribe é motivo de preocupação crescente, conforme revela um novo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo as análises, até 2030, 5,9 milhões de crianças, adolescentes e jovens da região correm o risco de serem lançados na pobreza devido aos efeitos adversos das mudanças climáticas. O estudo abrange 18 países, incluindo o Brasil, e destaca áreas vulneráveis como o nordeste brasileiro, partes do Cone Sul e o “corredor seco” da América Central.
Caso medidas eficazes de mitigação de emissões não sejam implementadas, o número de jovens afetados pode triplicar, atingindo 17,9 milhões. O relatório enfatiza a importância de priorizar serviços sociais e resiliência climática voltados para a infância, dado que este grupo etário é o mais impactado. Os eventos climáticos extremos não apenas comprometem a saúde física dos jovens, mas também aumentam sua vulnerabilidade a desastres naturais, prejudicando seu acesso à educação e a outros direitos fundamentais.
O diretor regional do Unicef, Roberto Benes, ressalta que a falta de recursos adequados pode perpetuar desigualdades. Além disso, apenas 3,4% do financiamento climático multilateral é direcionado a iniciativas que beneficiem crianças, destacando a necessidade crítica de focar nos mil primeiros dias de vida e na saúde, nutrição e saneamento.
O relatório sugere a implementação de educação ambiental nos currículos escolares para preparar as futuras gerações para lidar com os desafios climáticos. A gravidade da situação se torna evidente ao se observar que milhões de crianças estão expostas a graves riscos, como escassez de água, ciclones e ondas de calor. As recomendações apontam para a urgente necessidade de ações governamentais para proteger e apoiar a juventude da região diante deste cenário.
Origem: Nações Unidas