Em um cenário de incerteza comercial, o debate nos Estados Unidos sobre a possível implementação de tarifas sobre produtos europeus ganha destaque, despertando um renovado interesse nos mercados financeiros. A plataforma de investimentos Freedom24 divulga um análise que explora as implicações dessas ameaças comerciais, que, historicamente, têm gerado volatilidade no curto prazo, mas sem causar danos duradouros à economia europeia.
As discussões a respeito de tarifas remetem a episódios passados, como em 2018, quando os EUA introduziram tarifas sobre setores como o aço e o alumínio, gerando tensões comerciais e oscillação nas bolsas de valores. Com o tempo, tornou-se evidente que o impacto real sobre a economia europeia foi limitado. O diretor da Freedom24 em Espanha, Pedro Santa Cruz, observa que “as tarifas são um instrumento político muito visível, mas economicamente pouco eficiente”.
Os efeitos imediatos das tarifas costumam redistribuir custos e forçar ajustes nas cadeias de suprimento, em vez de provocar um colapso comercial. Nesta dinâmica, os setores mais vulneráveis são aqueles com alta dependência do mercado americano, como a indústria automobilística e certos segmentos industriais. Apesar da pressão sobre as margens e a reavaliação de contratos, a história demonstra que as exportações não entram em colapso, mas se ajustam por meio de alterações na demanda e na diversificação geográfica.
Desde 2018, a Europa tem intensificado seus esforços para consolidar sua presença em mercados emergentes e, com o recente aumento das exportações chinesas para o continente, espera-se uma pressão descendente sobre preços e inflação na região. Embora se estime que cada 1 bilhão de euros em exportações perdidas possa significar a perda de entre 8.000 e 10.000 empregos, a política monetária do Banco Central Europeu atua como um amortecedor firme.
A reação dos mercados frente à retórica tarifária geralmente é moderada e segmentada. Em 2018, a diminuição das ações concentrou-se nos setores mais expostos às novas tarifas, enquanto outras áreas mantiveram sua estabilidade. Essa volatilidade indica que, apesar das oscilações nos ativos, pânicos globais não são frequentes.
Um ponto crucial a ser considerado é quem realmente arca com os custos das tarifas. Evidências apontam que, frequentemente, são os consumidores americanos que enfrentam preços mais altos devido à repasse dos custos das tarifas, em lugar dos exportadores europeus. Esse fenômeno destaca que as tarifas funcionam mais como um imposto indireto, permitindo que o comércio se ajuste gradualmente sem comprometer os poderes econômicos estruturais.
Para os investidores europeus, a principal lição é evitar reações exageradas diante da volatilidade provocada por essas políticas. Recomenda-se uma diversificação geográfica nos investimentos e a manutenção de um foco em setores que oferecem estabilidade, como os serviços públicos e o setor financeiro, onde contratos de longo prazo garantem fluxos de caixa mais seguros. Em um ambiente caracterizado por incertezas políticas, a persistência e a disciplina na alocação de capital mostram-se como as melhores estratégias para enfrentar os possíveis ajustes que poderão surgir no futuro.






