Um novo avanço na infraestrutura de aprendizado de máquina está emergindo com a introdução da HetCCL, uma biblioteca de comunicação coletiva desenvolvida por um grupo de pesquisadores da Universidade Nacional de Seul e da Samsung Research. Essa inovação vem em um momento em que a corrida para treinar modelos de linguagem maiores se depara com desafios logísticos complexos, especialmente no que diz respeito à integração de hardware.
A HetCCL se propõe a resolver um problema crítico enfrentado por equipes que utilizam clusters de GPUs heterogêneas. Em ambientes de aprendizado de máquina, uma parte significativa do tempo de treinamento não é gasta no processamento em si, mas sim na sincronização e comunicação entre as diferentes unidades de processamento gráfico. Este obstáculo se torna ainda mais evidente quando recursos de diferentes fabricantes são combinados, como NVIDIA e AMD.
Tradicionalmente, ferramentas como o NCCL da NVIDIA e o RCCL da AMD têm sido usadas para clusters homogêneos, mas à medida que a heterogeneidade se torna a norma, a comunicação entre diferentes plataformas representa um gargalo. A HetCCL promete uma solução ao permitir operações eficientes em um ambiente misto, utilizando o RDMA (Remote Direct Memory Access) para permitir transferências diretas e rápidas entre as GPUs sem a necessidade de modificações nos drivers existentes. Isso possibilita que equipes continuem usando software como PyTorch sem reescrever todo o código, o que reduz o tempo e os custos de desenvolvimento.
Nos testes realizados, os pesquisadores verificaram que a HetCCL oferece desempenho semelhante ao NCCL e RCCL em ambientes homogêneos, com eficiência de até 90% e picos de quase 97%. Além disso, as diferenças na convergência de resultados mantiveram-se dentro de limites aceitáveis, o que é crucial para organizações que não podem se dar ao luxo de surpresas nos resultados de treinamento.
Este avanço tem implicações significativas para administradores de sistemas e equipes de desenvolvimento, permitindo que as empresas se tornem menos dependentes de um único fornecedor, reutilizem equipamentos não idênticos e ampliem seus clusters de forma mais realista e eficiente. O contexto atual, onde a heterogeneidade é cada vez mais comum, faz com que a HetCCL se apresente como uma alternativa promissora para mitigar os desafios na construção de infraestruturas de inteligência artificial robustas e eficientes.
Com essa nova tecnologia, o diálogo nas organizações pode mudar de “temos GPUs, mas não conseguimos usá-las juntas” para uma abordagem mais pragmática e colaborativa. A HetCCL, se adotada além do ambiente acadêmico, pode se tornar uma peça chave na evolução das operações com aprendizado de máquina, facilitando o uso otimizado de recursos variados.






