GlobalFoundries e Renesas Electronics Expandem Colaboração Estratégica para Aumentar Produção de Semicondutores
A corrida para garantir a capacidade de fabricação de semicondutores, especialmente para os setores automotivo e industrial, acaba de ganhar um novo capítulo. Em um anúncio feito no dia 17 de fevereiro de 2026, a GlobalFoundries (GF) e a Renesas Electronics revelaram a ampliação de sua colaboração estratégica por meio de um acordo de fabricação “multimilionário”. Esse acordo visa assegurar um fornecimento estável em um momento de alta demanda por chips, impulsionada pela eletrificação dos veículos, automação industrial e crescente complexidade do software e conectividade.
Esse movimento é de grande relevância por duas razões principais. Primeiramente, a Renesas é um fornecedor fundamental de microcontroladores (MCUs), SoCs e dispositivos de potência, amplamente utilizados em veículos e equipamentos industriais. Embora esses componentes não recebam tanta atenção quanto as GPUs, são essenciais para o funcionamento de sistemas de assistência ao motorista, conversores de potência e controladores de motor. Em segundo lugar, a GlobalFoundries se estabeleceu como uma fundição “essencial” em plataformas e nodos especializados, uma categoria crítica para chips que exigem confiabilidade, durabilidade e disponibilidade em larga escala.
De acordo com o comunicado da Renesas, o objetivo do pacto é expandir o acesso da empresa japonesa ao portfólio tecnológico da GF, incluindo plataformas diferenciadas além do CMOS “genérico”. O acordo foca em tecnologias como FDX (FD-SOI), BCD e CMOS “feature-rich”, que incorporam funções de memória não volátil, projetadas para suportar linhas de produtos como SoCs, dispositivos de potência e microcontroladores.
Um aspecto importante do acordo é sua geografia. A produção iniciará nos Estados Unidos e será estendida para outras instalações globais da GlobalFoundries, incluindo Alemanha e Cingapura, além de uma aliança de fabricação com base na China. Simultaneamente, as empresas estão considerando a transferência seletiva de algumas tecnologias de processo da GF para as fábricas da Renesas no Japão, sugerindo uma estratégia de resiliência em camadas: diversificação de localização, capacidade e replicação de processos em plantas sob controle direto.
Tim Breen, CEO da GlobalFoundries, destacou que o anúncio representa uma extensão de uma relação já consolidada, enfatizando a rapidez das mudanças no setor automotivo, onde os semicondutores se tornaram a base da inovação em assistência avançada, baterias e conectividade. Por sua vez, Hidetoshi Shibata, CEO da Renesas, afirmou que o acesso a um leque mais amplo de tecnologias da GF oferece “flexibilidade” e “garantia de fornecimento” em um contexto de demanda crescente por eletrificação e conectividade, além do impulso das tecnologias associadas a aplicações de inteligência artificial.
Este acordo representa uma resposta às prioridades dos Estados Unidos para fortalecer a produção doméstica por razões econômicas e de segurança nacional. Em outras palavras, o contrato não busca apenas eficiência, mas também previsibilidade em um mercado de semicondutores que tem se tornado cada vez mais volátil e geopolítico.
Ainda que a indústria de chips seja frequentemente associada a tecnologias de ponta, grande parte dos componentes para setores automotivo e industrial é fabricada em nodos maduros e tecnologias especializadas. É neste espaço que uma fundição como a GlobalFoundries desempenha um papel estratégico: não concorrendo apenas em inovação, mas também garantindo plataformas estáveis e fornecimento garantido a seus clientes, em um cenário onde a continuidade de negócios e a soberania operacional são cruciais.
O impacto esperado dessa parceria implica em uma menor probabilidade de gargalos no fornecimento e maior pressão por contratos de longo prazo. Essa dinâmica aponta para um movimento contínuo em direção a acordos mais duradouros, onde a segurança no fornecimento é uma prioridade, especialmente para os clientes estratégicos nos setores automotivo e industrial. Assim, a notícia expõe não apenas um avanço tecnológico, mas uma transformação significativa nas cadeias de fornecimento de semicondutores, que agora envolvem questões de soberania e planejamento de longo prazo.






