O Conselho de Segurança da ONU promoveu um debate nesta quinta-feira focado nas intersecções entre energia, minerais essenciais e segurança global. A subsecretária-geral para os Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, enfatizou a relevância dos minerais estratégicos, que estão se tornando motores fundamentais da economia do século XXI. Sem esses recursos, a fabricação de tecnologias modernas, como smartphones e veículos elétricos, seria inviável.
DiCarlo fez um alerta sobre os perigos da mineração descontrolada, que pode causar danos irreparáveis ao meio ambiente e frequentemente está ligada a violações de direitos humanos. Ela observou que, embora a demanda por minerais como lítio, cobalto e níquel tenha aumentado consideravelmente, esta também traz à tona o dilema da competição geopolítica e a influência nas cadeias de suprimento globais. A busca por esses recursos é especialmente complexa em regiões em conflito, onde a mineração pode exacerbar tensões e gerar economias ilícitas.
A representante da ONU também apresentou dados impressionantes acerca do crescimento comercial desses minerais, que atingiu cerca de US$ 2,5 trilhões em 2023. As projeções indicam que a demanda pode triplicar até 2030, o que representa tanto uma oportunidade para o crescimento econômico quanto um desafio em termos de governança. DiCarlo sublinhou a necessidade de um modelo de governança responsável, que deve ser implementado de maneira conjunta pelos países produtores e consumidores.
Neste contexto, a ONU criou um Painel de Alto Nível sobre Minerais Essenciais, visando estabelecer diretrizes que promovam uma mineração responsável e respeitem direitos humanos. Regiões como a República Democrática do Congo, rica em cobalto, e Mianmar, conhecido por suas reservas de elementos raros, foram destacadas como exemplos de onde as oportunidades e os riscos são mais evidentes. A Ucrânia também foi mencionada por suas significativas reservas de titânio e lítio, essenciais para a indústria aeroespacial.
A mensagem final de DiCarlo reforçou a ideia de que a mineração, sem uma gestão adequada, tem o potencial de desestabilizar governos e fomentar a criminalidade, sendo vital que a responsabilidade na extração desses recursos ocorra para o benefício de todos os envolvidos.
Origem: Nações Unidas




