O início de 2026 trouxe consigo movimentos contidos, mas significativos, no mercado hipotecário espanhol. O euríbor a 12 meses, principal referência para as hipotecas variáveis no país, situou-se entre 2,25% e 2,26% nas primeiras sessões do ano. A média provisória para janeiro de 2026 é de aproximadamente 2,254%, com o último dado diário registrado em 2,261% no dia 6 de janeiro.
Esse cenário apresenta uma leitura ambivalente. De um lado, o índice permanece abaixo dos níveis do ano anterior, quando em janeiro de 2025 o euríbor ultrapassava a barreira dos 2,5%. Por outro lado, os níveis atuais são superiores a alguns meses de 2025, o que poderá resultar em aumentos para aqueles com revisões semestrais, dependendo do mês de referência aplicável.
Para melhor compreender as implicações deste cenário nas prestações das hipotecas, podemos considerar duas situações práticas. No primeiro exemplo, para uma hipoteca de 150.000 € com prazo de 25 anos e um diferencial de 1%, a revisão anual que vai de janeiro de 2025 para janeiro de 2026 mostraria uma redução na prestação mensal, que passaria de aproximadamente 752,95 € para 731,29 €, resultando em uma diminuição de 21,66 € por mês. Em contraste, se considerarmos uma revisão semestral de julho de 2025 para janeiro de 2026, a prestação aumentaria de 717,49 € para 731,29 €, implicando um aumento de 13,80 € mensais.
Vale destacar que, na prática, os bancos tendem a aplicar a média mensal do euríbor do mês de referência, e não o dado diário.
A evolução dos últimos doze meses do euríbor de 12 meses ilustra bem esse movimento. Entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, os dados disponíveis mostram uma flutuação que culminou em uma média provisória para o início de 2026 bem abaixo dos picos alcançados no ano anterior, mas ainda assim superior a alguns dos meses de 2025.
Em meio a este cenário, a atenção do mercado financeiro se volta agora para o Banco Central Europeu, que se reunirá novamente no início de fevereiro. A próxima reunião de política monetária, marcada para os dias 4 e 5, será um momento crucial para entender os próximos passos da política econômica na Europa e suas possíveis repercussões sobre o setor hipotecário em países como a Espanha. As expectativas estão altas e as decisões tomadas podem influenciar diretamente a vida de milhões de famílias no país.





