Um grupo de especialistas independentes das Nações Unidas expressou preocupações sobre o ambiente atual em Uganda, onde a tensão pré-eleitoral se intensifica à medida que se aproximam as eleições gerais marcadas para 15 de janeiro. Em uma nota divulgada em Genebra, os especialistas destacaram a “obrigação do Governo de Uganda de garantir a participação da população nos assuntos públicos sem violência e discriminação”, enfatizando um “clima generalizado de medo” que, segundo afirmam, não é propício para a realização de eleições pacíficas.
As acusações de desaparecimentos forçados e o uso excessivo da força contra apoiadores da oposição política, especialmente aqueles ligados à Plataforma de Unidade Nacional (NUP), marcam profundamente este período. Desde o início da campanha eleitoral, as forças de segurança teriam sido mobilizadas de maneira robusta para reprimir os comícios da oposição, resultando em pelo menos uma morte confirmada devido à ação policial que utilizou armas químicas e munição real.
Além disso, os especialistas destacaram a gravidade dos relatos de 160 casos de desaparecimento forçado, onde agentes de segurança, utilizando veículos não identificados, sequestraram membros da oposição e os mantêm em “casas de segurança” desconhecidas, sem acesso à comunicação. A presença constante de veículos de controle de multidões, como canhões de água, foi considerada pelos especialistas como um mau presságio em um período que deveria ser de diálogo e expressão democrática.
O relatório também chamou a atenção para a repressão à liberdade de imprensa e à violação dos direitos digitais; ao longo da campanha, jornalistas foram agredidos e suas ferramentas de trabalho foram confiscadas, enquanto a dissidência online estava sendo silenciada por meio da Lei de Abuso de Computadores. O grupo de especialistas pede ao governo que cesse imediatamente a violência, esclareça o paradeiro dos desaparecidos e evite o uso desproporcional da força, garantindo assim um ambiente mais seguro e democrático para todos os cidadãos ugandenses.
Origem: Nações Unidas





