Um grupo de especialistas da ONU expressou sua preocupação em relação à recente aprovação pelo Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) de um empréstimo de US$ 150 milhões para o Projeto de Gás Natural Liquefeito Flutuante (GNL) Coral Norte, localizado no norte de Moçambique. Em um comunicado, os especialistas alertaram que o empreendimento poderia intensificar as violações dos direitos humanos, agravar as mudanças climáticas e desviar recursos essenciais de investimentos em energia renovável.
A região de Cabo Delgado, onde o projeto será implementado, já enfrenta um histórico de conflitos violentos entre forças do governo e grupos armados, além de ser vulnerável a desastres naturais. Os especialistas ressaltaram que a expansão do projeto Coral Norte poderá aumentar significativamente as emissões de gases de efeito estufa, como o metano, exacerbando a poluição do ar em um momento em que a região luta para lidar com os efeitos das mudanças climáticas.
Além disso, destacaram que iniciativas anteriores de exploração de gás na região falharam em garantir consultas apropriadas com as comunidades locais, resultando em danos duradouros aos meios de subsistência de moradores que dependem da pesca e da agricultura. Isso, segundo informaram, tem contribuído para um cenário socioeconômico difícil, especialmente em um contexto onde o acesso à educação e oportunidades de emprego ainda é limitado.
Os especialistas criticaram a decisão do AfDB, indicando que ela contraria seus compromissos com estratégias de desenvolvimento sustentável e crescimento verde, além de violar diretrizes de direitos humanos relacionadas à descarbonização das economias. Como resposta, eles pedem ao banco que suspenda o financiamento de projetos de combustíveis fósseis e informaram que estão em diálogo com o governo de Moçambique para discutir essas preocupações.
Origem: Nações Unidas






