Em meio a um clima de crescente preocupação pelo futuro da nação, juristas, economistas e acadêmicos se reuniram em Madrid para o V Congresso Nacional da Sociedade Civil. Sob o lema “Mirando ao futuro: Espanha na próxima década”, os especialistas alertaram sobre o deterioro institucional do país e sublinharam a necessidade urgente de reformas em áreas críticas como democracia, previdência, imigração e energia.
O filósofo Javier Gomá ressaltou a importância de aprimorar o sistema atual em vez de destruí-lo, incentivando o fortalecimento das instituições existentes. Essa visão foi apoiada por José Juan Ruiz, presidente do Real Instituto Elcano, que defendeu uma maior responsabilidade cidadã na proteção da democracia.
A fragilidade do equilíbrio institucional foi um dos focos do debate, onde a separação de poderes e a igualdade perante a lei foram classificadas como compromissos inegociáveis. A advogada Miriam González destacou o enfraquecimento dos contrapesos tradicionais e pediu uma revitalização do poder do cidadão individual em relação às instituições representativas.
Na esfera econômica, Javier Díaz-Giménez advertiu sobre os perigos do déficit crescente e de um sistema previdenciário insustentável que ameaça as futuras gerações. Juan José Rubio Guerrero enfatizou que o gasto em pensões e despesas correntes está limitando os investimentos, exacerbando a desigualdade entre gerações.
O congresso também identificou os desafios demográficos, com a baixa natalidade e o envelhecimento da população sendo considerados como preocupações críticas. Diego Ramiro Fariñas, do CSIC, sugeriu que as políticas atuais são inadequadas para a realidade contemporânea, enquanto Carmen González, catedrática de Ciência Política, salientou que a imigração, apesar de benéfica para o PIB, não resolve os problemas estruturais do país.
No que diz respeito à tecnologia e energia, José María Lassalle defendeu uma inteligência artificial centrada no ser humano, enquanto outros especialistas apontaram a falta de consenso político como um obstáculo para progredir rumo a uma genuína autonomia energética.
O evento foi encerrado com intervenções de ex-ministros como José Manuel García-Margallo e Eduardo Serra, que enfatizaram a importância de uma política externa robusta. Rafael Catalá, presidente da Fundação Independente, concluiu o congresso exortando a sociedade civil a passar da identificação de problemas para a proposição de soluções concretas.
A mensagem final do congresso foi clara: a Espanha necessita de uma ação política decisiva e de um consenso social para enfrentar esses desafios e garantir um futuro mais sustentável. O chamado a uma cidadania ativa que reivindique mudanças será crucial para evitar uma “década perdida”.






