As autoridades iranianas enfrentam críticas severas à medida que a situação de direitos humanos no país se deteriora, especialmente no contexto da crescente tensão militar no Oriente Médio. Mai Sato, relatora especial sobre a Situação dos Direitos Humanos na República Islâmica do Irã, fez uma declaração urgente pedindo o término imediato do uso excessivo da força contra civis. Ela solicitou ainda a libertação de todos os detidos por exercerem suas liberdades, o restabelecimento do acesso irrestrito à internet e o respeito ao papel vital da sociedade civil na defesa dos direitos humanos.
Em um comunicado divulgado em Genebra, Sato enfatizou a necessidade de priorizar o bem-estar do povo iraniano e instou todas as partes envolvidas a interromperem a escalada militar e recomeçarem o diálogo político. A relatora destacou a importância de a comunidade internacional assegurar que a proteção do povo iraniano e a prestação de contas sejam prioridades.
O recente relatório que Sato apresentou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU aborda o impacto dos protestos que eclodiram em 28 de dezembro de 2025, e revelou que o número de denúncias recebidas sobre violações de direitos humanos durante este período superou todos os registros anteriores desde que ela assumiu seu mandato em agosto de 2024.
Sato também relatou que muitos manifestantes, incluindo crianças, foram alvo de violência das forças de segurança, que agiram com brutalidade, resultando em detidos que enfrentam sérios abusos, como a falta de assistência jurídica e longas prisões sem comunicação. Em um cenário alarmante, alguns dos detidos, jovens inclusos, podem enfrentar a pena de morte.
Além disso, a relatora apontou que as forças de segurança têm invadido hospitais para prender manifestantes feridos e agredir profissionais de saúde. As famílias dos detidos têm enfrentado pressão para permanecer em silêncio durante lutos ou memoriais, ampliando a atmosfera de medo e repressão no país.
Sato também observou um aumento significativo nas execuções no Irã, relacionadas a crimes variados, que atingiram números alarmantes em 2025 e continuaram ao longo de 2026, especialmente durante os protestos. A situação se agrava com os conflitos militares entre o Irã, Israel e os Estados Unidos, que resultaram em um grande número de pessoas deslocadas internamente, estimando-se entre 600 mil e 3,2 milhões de indivíduos afetados.
Em meio a este cenário crítico, a relatora expressou a necessidade urgente de uma visita ao Irã, a qual ainda não lhe foi autorizada, para poder observar de perto as condições nas prisões e a situação dos direitos humanos no país. Sato concluiu que a proteção e os direitos da população devem ser uma preocupação coletiva, urgentemente priorizada pela comunidade internacional.
Origem: Nações Unidas





