A psiquiatra Zélia Figueiredo manifestou a sua profunda preocupação com as recentes alterações à Lei da Autodeterminação de Género em Portugal, apelidando-as de “um retrocesso ideológico” que poderá ter impactos severos na saúde mental e bem-estar dos jovens trans. Durante uma conferência na capital, a especialista afirmou que a reversão da legislação vigente não só colocaria em risco os avanços conquistados nas últimas décadas, como também alimentaria um clima de medo entre a comunidade trans.
Figueiredo contestou a ideia de que o acompanhamento médico e psicológico para pessoas trans teria desaparecido com as novas regras, argumentando que muitas pessoas continuam a procurar ajuda de forma discreta. “As pessoas deixaram de ir às consultas às escondidas, mas isso não significa que o suporte tenha acabado. O que estamos a ver é um movimento de silenciamento e desinformação”, ressaltou.
Além disso, a psiquiatra criticou a desinformação que, segundo ela, tem sido propagada por alguns setores políticos que se opõem à Lei da Autodeterminação de Género. “As pessoas trans estão muito assustadas com o que está a acontecer. Precisamos de uma discussão informada e sensível que considere as realidades e desafios que enfrentam”, enfatizou.
As declarações foram feitas em um momento crítico, onde o debate sobre a autodeterminação de género se intensifica no país, levantando uma série de questões sobre identidade, saúde e direitos.
Origem: JPN Universidade do Porto






