A situação dos direitos humanos na Venezuela enfrenta uma grave crise, caracterizada por intensa incerteza política, a presença de grupos armados conhecidos como coletivos e um panorama preocupante em relação às detenções arbitrárias e à liberdade de presos políticos. Marta Valiñas, jurista portuguesa e ex-presidente da Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos sobre a Venezuela, expressou sua preocupação com o atual estado das instituições e a crescente repressão política.
Durante uma entrevista, Valiñas destacou que a instabilidade institucional pode propiciar um ambiente propício para a violação dos direitos humanos. O fortalecimento de coletivos armados, vinculados ao governo, tem sido notado, especialmente após a captura de Nicolás Maduro. Tais grupos não apenas exercem influência nas operações do governo, mas também têm sido responsáveis por ações repressivas durante manifestações populares, causando apreensão na população, que teme represálias.
A questão das detenções arbitrárias também foi abordada por Valiñas, que mencionou o desconforto relacionado à falta de informações claras sobre as libertações e as restrições impostas aos detidos, mesmo após a liberação. Muitos ainda enfrentam medidas cautelares que limitam sua liberdade de expressão e movimento. Valiñas apelou por uma liberação incondicional dos presos políticos e pelo encerramento de processos judiciais que os afetam.
Embora a jurista aponte uma leve abertura por parte do governo venezuelano em relação às pressões internacionais, ela enfatiza que a situação dos direitos humanos ainda é incerta. A expectativa é de que a comunidade internacional continue a exercer pressão, visando garantir condições mais seguras para a população e para os defensores dos direitos humanos no país.
A análise do futuro dos direitos humanos na Venezuela permanece cautelosa. Valiñas alertou que, embora alguns sinais positivos possam surgir, a incerteza sobre o clima político e a adesão efetiva aos direitos humanos persistem, deixando muitos cidadãos, incluindo a diáspora portuguesa, em um estado de apreensão e vigilância contínua.
Origem: Nações Unidas






