Helena Reys Santos, uma capitã-de-fragata da Marinha Portuguesa, compartilhou sua inspiradora trajetória após ingressar na Escola Naval aos 17 anos, em uma época em que poucas mulheres se lançavam em carreiras militares. Lembrando que suas amigas sonhavam em ser “a namorada do Maverick”, referência do filme “Top Gun”, ela afirmou querer ser o Maverick, desafiando as normas de gênero de sua época.
A decisão de Helena foi também uma questão prática, pois seus pais não podiam custear um curso universitário. Apesar dos desafios e da falta de apoio familiar, incluindo o ceticismo sobre sua estatura e capacidade, Helena construiu uma carreira notável, com participação em missões internacionais, incluindo operações contra a pirataria na Somália e uma missão das Nações Unidas na Colômbia.
No entanto, entrar em um ambiente predominantemente masculino nunca foi fácil. Ela recorda de um caso em que um subordinado se recusou a aceitar suas ordens, refletindo a cultura de resistência à liderança feminina. Helena notou, através de suas experiências, que a presença de mulheres em operações de paz é essencial, pois elas podem ser um canal de comunicação vital em contextos de crise, como evidenciado em uma missão em Kosovo, onde as mulheres refugiadas enfrentavam barreiras para acessar cuidados médicos.
Na Colômbia, sua atuação como observadora da ONU incluiu o trabalho na reintegração social de ex-combatentes, com um foco especial na inclusão de mulheres. Soluções simples, como a contratação de babysitters para permitir que mães participassem de formações, evidenciam a importância de considerar as necessidades das mulheres nas estratégias de paz.
Helena também destaca o custo pessoal que suas missões impõem, especialmente ao deixar seus filhos sob os cuidados do marido. Este arranjo familiar expõe preconceitos de gênero, refletindo uma batalha contínua por maior igualdade e reconhecimento.
A história de Helena está entre as muitas que compõem um livro a ser lançado em Lisboa, que busca dar voz às mulheres portuguesas que participaram em missões de paz. As autoras do livro, Margarida Pereira-Müller e Cidália de Vargas Pecegueiro, enfatizam a urgência de trazer essas histórias à tona, já que a narrativa da guerra e da paz tradicionalmente exclui as experiências femininas. Elas esperam que essas histórias inspirem futuras gerações a se engajar nas forças armadas, promovendo uma maior inclusão e diversidade. Apesar dos avanços, apenas 13,8% do efetivo das Forças Armadas em Portugal é composto por mulheres, evidenciando um longo caminho a percorrer.
Origem: Nações Unidas






