No último domingo, 8 de fevereiro de 2026, o mercado elétrico europeu apresentou uma situação incomum, com Portugal apresentando preços quase simbólicos no mercado atacadista. Enquanto outros países enfrentavam tarifas muito mais altas, Portugal registrou um preço médio diário de apenas 0,80 €/MWh, comparado a 5,92 €/MWh na Espanha, 76,61 €/MWh na França e 166,61 €/MWh na Irlanda.
Esse cenário gerou um intenso debate nas redes sociais, especialmente no LinkedIn, onde o consultor energético Antonio Vidigal compartilhou dados sobre produção e consumo. Portugal teve um consumo de 154 GWh, com grande contribuição da energia eólica (65 GWh) e produção solar mais modesta (8 GWh). Um ponto crítico destacado foi a limitação na capacidade de interconexão com a Espanha, que tem permanecido entre 500 e 1.500 MW, resultando em um desacoplamento do mercado.
Vidigal resumiu a situação dizendo que os mercados voltam a se separar. Quando a interconexão disponível atinge seu limite, o mecanismo de “market splitting” é acionado, permitindo que cada região defina seu próprio preço. Em dias de alta geração de energia renovável e baixa demanda, essa separação resulta em preços que podem cair perto de zero, como o preço mínimo de -0,4 €/MWh registrado.
Esse fenômeno cria um cenário atrativo para a instalação de centros de dados. No entanto, os operadores devem entender que o preço do mercado atacadista é apenas uma indicação, não um contrato, e que é essencial ter acesso à energia de forma firme, seguranças regulatórias e estruturas de custos de longo prazo.
A situação também revela limitações na infraestrutura elétrica de Portugal, que não consegue exportar seu excedente para o restante da Europa, resultando em preços baixos locais, mas em problemas estruturais que exigem atenção. Projetos de novas interconexões, como a que liga Espanha e França, estão em andamento para ajudar a mitigar essas divergências de preços.
O interesse por novas capacidades de centros de dados na Península Ibérica está crescendo, impulsionado pela combinação de energias renováveis e demanda digital. No entanto, operadores e investidores devem estar cientes de que a competitividade energética não será linear, mas sim dinâmica, e aqueles que conseguirem transformar essa dinâmica em estratégia terão a vantagem no setor.
Em resumo, o atual contexto energético em Portugal demonstra o potencial e os desafios do mercado europeu, onde a abundância de energia renovável pode coexistir com limitações de infraestrutura, moldando o futuro da indústria de centros de dados na região.






