Na madrugada desta terça-feira, forças israelenses iniciaram a demolição da sede da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, localizada em Jerusalém Oriental. A operação foi realizada sob a supervisão de parlamentares e de um membro do governo israelense, o que gerou grande repercussão na comunidade internacional. O comissário-geral da Unrwa, Philippe Lazzarini, condenou a ação, classificando-a como um “ataque sem precedentes” contra as Nações Unidas, cujas instalações são protegidas por normas do direito internacional.
Lazzarini, em uma declaração nas redes sociais, alertou que essa ação representa um desafio “aberto e deliberado” ao direito internacional e aos privilégios das Nações Unidas, destacando a gravidade da situação. Ele advertiu que esse precedentes poderiam ameaçar outras organizações ou missões diplomáticas em todo o mundo.
Volker Turk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, expressou sua indignação sobre o incidente, que marca um aumento das tensões entre as autoridades israelenses e a Unrwa, colocando em risco a atuação de grupos humanitários que oferecem assistência vital na região.
Recentemente, em 14 de janeiro, forças israelenses também invadiram um centro de saúde da Unrwa em Jerusalém Oriental, ordenando seu fechamento e causando temor entre os funcionários da agência. A situação se agravou com a decisão do governo israelense de cortar o fornecimento de água e energia para as instalações da Unrwa nas próximas semanas, incluindo aquelas voltadas para assistência médica e educacional. Esta medida é resultado de uma legislação aprovada pelo parlamento israelense que reforçou as restrições já em vigor desde 2024.
Além disso, Lazzarini mencionou que as instalações da Unrwa tiveram que enfrentar incêndios criminosos, que seriam parte de uma “campanha de desinformação em larga escala” promovida por Israel. Mesmo diante de uma decisão da Corte Internacional de Justiça, que reafirmou a obrigação de Israel em facilitar as operações da Unrwa, a falta de uma resposta efetiva dos Estados-membros da ONU tem levado a ataques constantes ao direito internacional, que corre o risco de se tornar “irrelevante”.
Origem: Nações Unidas






