Em um cenário alarmante, o vice-chefe do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Carl Skau, alertou que 45 milhões de pessoas podem passar a enfrentar fome aguda em todo o mundo devido a interrupções nas operações de ajuda humanitária ocasionadas pelo recente conflito no Oriente Médio. A crise pode se agravar se a guerra, que teve início em fevereiro, se prolongar até junho. Segundo Skau, os efeitos da guerra estão sendo comparados a um patamar crítico nunca antes visto desde a pandemia de Covid-19.
A Organização das Nações Unidas, sob a liderança do secretário-geral António Guterres, fez um apelo urgente para o fim do conflito, que se intensificou após ataques conjuntos de Israel e Estados Unidos ao Irã, levando a um ataque retaliatório do Irã. A ONU exige que as resoluções do Conselho de Segurança sejam respeitadas, especialmente a resolução 2817, que pede o encerramento das hostilidades e dos ataques do Irã.
Além das consequências diretas no Líbano, Skau destacou que o conflito provocou sérias consequências indiretas nas operações humanitárias a nível global. O PMA enfrenta dificuldades significativas nas cadeias de suprimento, com a entrega de alimentos aumentando 18% e custos crescentes tornando insustentável o suporte alimentar. A agência teve que reduzir as rações para as famílias com fome no Sudão e está conseguindo apoiar apenas uma em cada quatro crianças gravemente desnutridas no Afeganistão, que é considerada a crise de desnutrição mais severa do mundo atualmente.
Enquanto isso, o vice-chefe do PMA apontou para a interrupção dos mercados globais de fertilizantes como uma grande preocupação, especialmente com a aproximação da época de plantio na África Subsaariana. Ele destacou que um quarto do fornecimento mundial de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz, que está paralisado devido aos combates, impactando gravemente a capacidade de produção agrícola de diversos países.
O impacto humanitário continua a se intensificar no Líbano, onde os efeitos do conflito e da interrupção do tráfego aéreo são amplamente sentidos. Desde o início das hostilidades, a expectativa é que mais de um milhão de pessoas tenham sido deslocadas, somando quase 20% da população libanesa. As ordens de evacuação afetam áreas específicas, como o sul do Líbano e subúrbios de Beirute, enquanto cerca de 70% das pessoas deslocadas não encontram abrigo adequado, complicando ainda mais a assistência humanitária em um momento crítico.
Origem: Nações Unidas






