O conflito no Médio Oriente está gerando uma crise sem precedentes no mercado imobiliário de Dubai, que até recentemente era visto como um “porto seguro” para investidores. Desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão, em fevereiro de 2026, o setor testemunhou uma queda abrupta nas transações e nos preços. Segundo dados do Goldman Sachs, os valores do mercado imobiliário nos Emirados Árabes Unidos despencaram 51% em relação ao mês anterior, e as vendas de moradias caíram impressionantes 89% em comparação com o ano passado.
O impacto econômico do conflito se reflete em índices financeiros, como o DFM Real Estate Index, que perdeu 38% de seu valor em um curto período, revertendo ganhos significativos acumulados nos anos anteriores. As ações de grandes construtoras como Emaar e Aldar caíram cerca de 5% em um único dia. O mercado de sukuk, utilizado por grandes promotores, também sofreu desvalorização, indicando a forte relação entre a incerteza geopolítica e a confiança dos investidores no setor imobiliário.
Apesar da crise, há indícios de resiliência no mercado. Em fevereiro de 2026, antes da intensificação do conflito, quase 17 mil transações imobiliárias foram registradas em Dubai, com um valor total próximo a 14 bilhões de euros, revelando uma demanda ainda presente. Embora o cenário atual seja desafiador, especialistas acreditam que o mercado não apresenta as características de uma bolha imobiliária, graças a fatores estruturais como o crescimento populacional e uma regulação mais rigorosa. O futuro do setor dependerá, portanto, não apenas da recuperação interna, mas também da evolução da instabilidade regional que tem redesenhado o panorama econômico no Golfo.
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