O relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos em Mianmar, Tom Andrews, fez um apelo contundente à comunidade internacional nesta quinta-feira, pedindo que não reconheça as eleições realizadas no país. Andrews denunciou que o processo eleitoral, marcado por “coerção, violência e exclusão”, não foi nem livre nem legítimo, referindo-se a ele como uma “encenação teatral” projetada para enganar a comunidade global.
No primeiro turno da votação, ocorrido em 28 de dezembro, a participação dos eleitores foi extremamente baixa, com muitos cidadãos temendo represálias. A Liga Nacional para a Democracia, que alcançou sucessivas vitórias em eleições anteriores, não estava presente na cédula devido à sua dissolução pela junta militar, que mantém Aung San Suu Kyi, sua líder, detida desde o golpe em 2021.
Dados oficiais indicam que representantes da junta e do Partido União Solidariedade e Desenvolvimento ganharam quase 90% dos assentos na Câmara do Parlamento. Ademais, a junta militar descartou realizar eleições em 65 municípios, evidenciando a falta de controle sobre diversas áreas do país.
Andrews destacou que as autoridades têm pressionado cidadãos a votar, utilizando ameaças que vão desde a negação de acesso a serviços básicos até o recrutamento forçado de jovens. “Isso não é participação política, é coerção”, afirmou. Ele fez um apelo claro: o povo de Mianmar merece uma eleição genuína que represente suas aspirações.
Por fim, o relator ressaltou que a comunidade internacional deve se opor a qualquer tentativa da junta de consolidar seu domínio sob a fachada de um processo eleitoral, enfatizando que o futuro de Mianmar deve ser decidido por seu povo, e não por aqueles que perpetuam a repressão.
Origem: Nações Unidas






