Nos últimos meses, o mercado global de memória tem vivenciado mudanças significativas, especialmente com o crescente aumento dos preços da DRAM e NAND chinesa. Tradicionalmente conhecida por ser mais acessível, a memória fabricada na China está se distanciando do seu estigma como “opção barata”. A recente transformação estratégica dos principais produtores chineses, centrada em inovação e eficiência, está mudando o panorama competitivo.
De acordo com fontes da indústria, a ChangXin Memory Technologies (CXMT), principal fabricante de DRAM da China, não está mais focada na venda em massa de DDR4 a preços baixos, como era amplamente especulado. Ao invés disso, a empresa está priorizando o desenvolvimento de DDR5 e mantendo uma quantidade limitada de DDR4, evidenciando uma estratégia que busca qualidade e margens mais elevadas em vez de dominar o mercado por meio de descontos.
Esse movimento ocorre em um contexto de crescente demanda por memórias de alto desempenho, especialmente na área de Inteligência Artificial (IA). Com grandes fabricantes como Samsung e SK hynix concentrando esforços em memórias de maior margem, a competição no setor tem se intensificado, gerando pressões sobre as cadeias de suprimento.
O impacto dessa reorientação já pode ser sentido em diversos setores. Analistas apontam que o aumento dos custos dos componentes, especialmente de DRAM e NAND, está resultando em uma redução das previsões de vendas de smartphones para 2026. Adicionalmente, fabricantes de PCs também estão buscando alternativas para garantir suprimentos, enfrentando a realidade de que, se a memória não é mais uma opção barata, o foco deve se deslocar para fatores como compatibilidade e estabilidade.
Com planos de expansão em andamento, a CXMT e a YMTC (referência chinesa em NAND) estão se preparando para aumentar sua capacidade nos próximos anos. Contudo, a construção e o equipar de novas fábricas é um processo demorado, significando que alívio imediato nos preços pode não ser uma realidade próxima.
À medida que a indústria da memória avança, fica claro que a oferta chinesa está se consolidando como uma concorrente séria, não apenas contra os fabricantes sul-coreanos, mas também como um novo padrão de valorização no mercado. As expectativas para 2026 sugerem que a memória não será tratada como uma mercadoria barata, mas sim como um recurso estratégico que pode redefinir as dinâmicas de poder entre os principais players do setor.





