A situação de segurança alimentar na Somália continua a se deteriorar, conforme revela a mais recente Análise da Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC). Desde agosto de 2025, o país tem enfrentado uma crise alimentar alarmante, exacerbada por secas severas, conflitos permanentes, deslocamentos populacionais e alta nos preços dos alimentos. Estima-se que 6,5 milhões de pessoas, o que representa 33% da população analisada, se encontram em situação de crise ou pior.
Os efeitos da seca de 2025 foram devastadores, resultando em falhas significativas nas colheitas e na escassez de pastagens e água, especialmente nas regiões agro-pastoris. As últimas previsões indicam que, com a chegada da estação seca de Jilaal, entre fevereiro e março de 2026, mais de 2 milhões de somalis estarão enfrentando lacunas alimentares críticas e malnutrição aguda, já que a produção agrícola atinge mínimos históricos.
No que diz respeito à produção de cereais, a Somália registrou apenas 15,6 mil toneladas no sul, o menor volume desde 1995, o que representa uma redução alarmante de 83% em relação à média histórica. A condição do gado também piorou drasticamente, afetando a produção de leite e os meios de subsistência de muitas famílias.
Além disso, o cenário de insegurança aumentou, com aproximadamente 3,4 milhões de pessoas deslocadas internamente. O número de incidentes de segurança subiu 75% em relação ao ano anterior, com muitas das pessoas deslocadas buscando escapar da violência e da escassez de recursos.
A crise é particularmente grave entre as crianças, com 1,84 milhão de crianças menores de cinco anos sofrendo de malnutrição aguda, das quais 483 mil enfrentam formas severas que requerem intervenção médica imediata. Os prognósticos são sombrios, com a previsão de que o número de áreas classificadas em Fase 3 e 4 da IPC aumente consideravelmente nos próximos meses.
A luta pela sobrevivência em meio a esta crise multidimensional continua a ser um desafio significativo para a população da Somália, que necessita de assistência urgente para evitar um colapso humano ainda mais profundo.
Origem: Nações Unidas






