As redes sociais, que um dia foram vistas como a grande infraestrutura da conversa digital, começam a enfrentar um julgamento crítico sobre seu impacto na saúde mental dos jovens. Enquanto a promessa de manter conexões e promover comunidades ainda ressoa, a realidade de 2026 revela um modelo que prioriza a coleta e a análise de dados para fins comerciais, colocando em questão a ética por trás de suas operações.
Recentemente, nos Estados Unidos, um julgamento focou no design aditivo de plataformas sociais e como esse modelo econômico afeta o bem-estar psicológico da juventude. Agora, a discussão vai além da mera análise de “que conteúdos estão circulando”, para abordar como essas plataformas moldam comportamentos, utilizando notificação constante, rolagem infinita e um contexto que valoriza reações impulsivas em detrimento da reflexão.
De acordo com um índice comparativo do IT Asset Management Group, Instagram e Facebook se destacam como as apps mais invasivas, coletando um total de 32 tipos de dados – 25 deles diretamente associados aos usuários. A interpretação dessas informações revela uma normalização da prática de rastreamento, que vai além de uma discussão abstrata sobre privacidade. A coleta de dados se tornou uma parte intrínseca do cotidiano digital, gerando um ecossistema complexo que tanto identifica quanto segue o comportamento do usuário.
O dilema se intensifica na chamada “economia da atenção”, onde as plataformas lucram ao aumentar o tempo que os usuários passam online. Isso gera um foco em conteúdos que maximizam o engajamento, frequentemente alimentando emoções negativas como indignação e comparação social, o que pode ser particularmente prejudicial para adolescentes, cuja autoimagem é delicada.
Como resposta, surgem duas propostas principais para reformar as redes sociais. A primeira sugere a implementação de mais transparência e limites rigorosos sobre a coleta de dados, especialmente para menores de idade. A segunda propõe uma mudança nos incentivos de negócio, em busca de um modelo em que a rentabilidade não dependa da vigilância constante, como assinaturas e versões pagas sem rastreamento.
Embora a solução para esses desafios não seja imediata, a necessidade de mudança é clara. Algumas ações práticas que os usuários podem adotar incluem a revisão de permissões de aplicativos, a redução da personalização de anúncios e a separação de usos de diferentes plataformas, para evitar a concentração em um único serviço.
O futuro das redes sociais está em jogo, e o julgamento em curso nos EUA pode ser um sinal do que está por vir. Contudo, a verdadeira mudança dependerá da disposição da sociedade em exigir serviços que conectem sem monitorar e que ofereçam entretenimento sem exploração excessiva dos dados dos usuários. A discussão sobre como essas plataformas operam e seu impacto na vida das pessoas está longe de acabar.






