Arm, uma das líderes em design de processadores, divulgou recentemente suas “20 previsões tecnológicas para 2026 e além”, destacando a transição da indústria de semicondutores para um novo paradigma. O foco não será mais apenas em aumentar a potência dos sistemas, mas em como a computação é organizada, tanto em chips quanto em centros de dados, e onde a Inteligência Artificial (IA) será executada. A empresa prevê uma mudança de um modelo centralizado para um em que a inteligência se distribui entre nuvem, dispositivos e sistemas físicos, com o intuito de melhorar o desempenho por watt e aumentar o controle sobre segurança e custos.
Com o crescimento exponencial das cargas de trabalho de IA e as crescentes pressões energéticas sobre os centros de dados, a Arm propõe uma abordagem que combina três pilares fundamentais: modularidade (chiplets e tecnologia 3D), segurança “by design” e IA distribuída como padrão operacional. Essa mudança é vista como crucial para lidar com a realidade atual, onde mover dados é caro, lento e consome muita energia.
Uma das previsões mais instigantes é a transformação do design de chips tradicionais em sistemas modulares, onde o conceito de chiplets pode permitir a utilização de blocos reutilizáveis. Com a integração 3D e o empacotamento avançado, a expectativa é que a indústria encontre novas formas de alcançar eficiência sem depender unicamente do processo de miniaturização. Caso padrões abertos de interconexão sejam adotados, isso poderia abrir espaço para um mercado de componentes interoperáveis, reduzindo a dependência de fornecedores únicos.
Além disso, a segurança em hardware será uma necessidade imprescindível, com a Arm prevendo que passará a ser um requisito mínimo, especialmente à medida que a IA é incorporada a infraestruturas críticas, como saúde e finanças. Tecnologias como a Memory Tagging Extension (MTE) serão fundamentais para a detecção de erros em tempo real.
Os centros de dados também devem evoluir. Arm menciona a possibilidade de “centros de dados convergentes”, que são projetados para maximizar a eficiência energética e reduzir custos relacionados à potência e refrigeração. Nesse novo modelo, espera-se uma coordenação contínua entre nuvem, edge e sistemas físicos, onde a nuvem será utilizada para treinamento e refinamento, enquanto o edge ganhará protagonismo na inferência e na tomada de decisões em tempo real.
Por fim, Arm prevê um aumento na utilização de modelos de IA menores e especializados, que podem ser implementados em edge, possibilitando uma estreia em um cenário onde a “inteligência por watt” será um critério de sucesso econômico. Essa transição promete revolucionar diversas indústrias, desde a automotiva até a saúde, conforme as empresas se adaptam e exploram novas maneiras de aplicar a tecnologia.






