Um alerta recente do Sistema Integrado de Classificação da Segurança Alimentar (IPC) revela que a crise humanitária no Sudão está em deterioração contínua, após quase três anos de conflitos intensos e severas restrições que têm dificultado o acesso humanitário e resultaram em cortes significativos nos fundos internacionais. A análise mais recente, divulgada em novembro de 2025, confirmou que cidades como El Fasher e Kadugli enfrentam condições de fome extrema, classificadas como fase 5, e identificou 20 áreas em risco de fome nas regiões de Darfur e Kordofan.
O relatório aponta que a malnutrição infantil alcançou níveis alarmantes. Em Um Baru, a taxa de malnutrição aguda global entre crianças menores de cinco anos chegou a 52,9%, enquanto em Kernoi o índice está em 34%. Em todo o Sudão, mais de 60% das localidades avaliadas entre janeiro e julho de 2025 relataram níveis críticos de insegurança alimentar, exacerbados por ataques a campos agrícolas que deixaram mais de 21 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.
Para 2026, estima-se que o número de casos de malnutrição aguda aumente para 4,2 milhões, comparado a 3,7 milhões no ano anterior, refletindo um cenário devastador de deslocamentos forçados e colapso dos sistemas de saúde e segurança alimentar. Apesar das necessidades humanitárias urgentes, o acesso a ajuda continua sendo severamente limitado, devido a cercos, insegurança e obstáculos administrativos.
A queda de El Fasher em outubro de 2025 resultou em uma das maiores migrações forçadas desde o início do conflito, com mais de 1,2 milhão de pessoas abandonando a região. Em Kordofan, os conflitos em curso ainda dificultam o acesso a serviços básicos, enquanto as cidades de Kadugli e Dilling enfrentam cerceamentos, empurrando mais pessoas a níveis extremos de fome.
As consequências do conflito, combinadas com deslocamentos e restrições de acesso, aceleram a fome, a malnutrição e a propagação de doenças, impactando principalmente crianças, mulheres grávidas e grupos vulneráveis. A resposta humanitária internacional enfrenta sérias dificuldades financeiras, com o Plano de Resposta Humanitária para 2026 apenas 5,5% financiado até o início de fevereiro. A falta de recursos compromete a assistência vital necessária antes da próxima estação de chuvas.
Projeções indicam que 33,7 milhões de pessoas, ou aproximadamente dois terços da população sudanesa, precisarão de ajuda humanitária em 2026. A parceria do IPC, composta por 21 organizações, incluindo agências da ONU e ONGs, enfatiza a urgência de uma resposta imediata à crise, destacando que a melhoria da situação depende do fim dos confrontos e da garantia de acesso humanitário irrestrito.
Origem: Nações Unidas






