Um estudo recente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) revela a grave influência da violência interpessoal na saúde de adultos. Coordenado pela professora Teresa Magalhães, a pesquisa analisou dados de 154.145 pacientes, com idades entre 18 e 50 anos, atendidos na Unidade Local de Saúde de Matosinhos entre janeiro de 2008 e maio de 2024. Deste total, 36.835 indivíduos foram identificados como vítimas de violência interpessoal na vida adulta.
Os resultados foram alarmantes: os afetados por violência interpessoal mostraram uma maior disposição para desenvolver doenças autoimunes inflamatórias, problemas renais crônicos, fígado gordo, asma, colesterol elevado e doenças cardíacas precoces. Além disso, os sobreviventes relataram um aumento significativo em dores crônicas e distúrbios de saúde mental, o que inclui dificuldades no sono e nos hábitos alimentares, além de um consumo elevado de medicação psicotrópica. Comportamentos de risco à saúde, como o abuso de álcool e drogas, também foram mais frequentes entre esses indivíduos.
Teresa Magalhães enfatiza que a violência interpessoal deve ser reconhecida como um problema de saúde pública, e não apenas um assunto de justiça criminal. Ela defende que os profissionais de saúde desempenham um papel fundamental na identificação precoce desses casos e que a detecção de doenças associadas pode levar a uma abordagem clínica mais eficaz. A pesquisadora também destaca o impacto negativo da violência na qualidade de vida dos sobreviventes, que enfrentam desde a perda de emprego até um aumento significativo nas despesas de saúde.
O estudo conclui que muitas ocorrências de violência interpessoal não são reconhecidas ou são subestimadas pelos profissionais de saúde. Aspectos como o segredo médico e o medo das vítimas em buscar ajuda são barreiras significativas para a identificação desses casos. O grupo de pesquisa planeja expandir o estudo para outras regiões de Portugal e colaborar com outras instituições internacionais, visando formar coortes maiores e realizar análises mais completas sobre a violência interpessoal, especialmente a de natureza doméstica.
Origem: Universidade do Porto






