A presença da NVIDIA no mercado chinês de chips para Inteligência Artificial (IA) enfrenta um cenário de mudança. Uma análise recente da Bernstein prevê que a participação da empresa no mercado chinês de processadores/aceleradores de IA pode cair de 66% em 2024 para cerca de 8% em 2026, à medida que fabricantes locais aceleram sua capacidade de design, produção e integração em centros de dados. Essa transformação é impulsionada pelos controles de exportação dos Estados Unidos em relação a chips avançados, que estão agindo como catalisadores para uma substituição tecnológica que a China já buscava, mas que agora se torna uma prioridade.
A previsão da Bernstein é fundamentada em duas dinâmicas importantes. Primeiramente, a disponibilidade de GPUs e aceleradores da NVIDIA para a China tem se restringido devido ao endurecimento da regulamentação e aos requisitos de licença. Em segundo lugar, empresas chinesas como Huawei, Cambricon, Moore Threads e MetaX estão ganhando espaço com alternativas que atendem a determinados casos de uso, especialmente em inferência e treinamento de larga escala.
O fator decisivo por trás dessa mudança é o quadro de controles de exportação dos EUA. Desde 2022, e especialmente após as atualizações de 2023, as regras foram desenhadas para limitar o acesso da China a chips de computação avançada. Isso resultou em um mercado onde vender “o último modelo” se tornou inviável, forçando a NVIDIA a adaptar seus produtos às restrições. Contudo, essa adaptação tem se mostrado frágil, e em abril de 2025, a empresa anunciou que precisaria de licença para exportar seu chip H20 para a China, prevendo um impacto contábil de 5,5 bilhões de dólares.
Além disso, em 2026, o Departamento de Comércio dos EUA revisou sua política de avaliação de licenças para certos semiconductores destinados à China, reforçando a ideia de que a “janela” comercial depende cada vez mais de condições adicionais.
No campo tecnológico, o progresso chinês não se limita a lançar um chip e esperar que ele concorra em igualdade com a última geração ocidental. As empresas locais estão buscando vencer por meio de sistemas, combinando hardware próprio com redes, interconexão e software. Huawei é um dos principais jogadores, desenvolvendo sua linha Ascend e apostando em clusters de grande porte, prevendo um aumento nas capacidades de desempenho.
Além da Huawei, o mercado chinês está sendo invadido por outros fabricantes, como Moore Threads, MetaX, Biren Technology e Suiyuan Technology, que estão começando a conquistar espaço relevante. A chave para essa disputa não está apenas no silício, mas na compatibilidade de software, que pode determinar o sucesso no mercado.
Se a projeção de uma participação de mercado de 8% se concretizar, isso não será apenas uma questão comercial para a NVIDIA, mas também estratégica. A perda de destaque na China pode acelerar a padronização de alternativas locais e fragmentar o mercado, forçando empresas multinacionais a desenvolver produtos diferentes conforme as regiões.
Portanto, o impacto das restrições externas no mercado de IA na China está se transformando em um acelerador de substituição interna, indicando que o panorama do setor está mudando rapidamente em direção a uma maior autossuficiência.






