No coração do deserto do Novo México, um novo tipo de exploração energética começa a ganhar atenção: não se trata de petróleo, mas sim de calor geotérmico. Com perfurações que prometem acessar rochas a temperaturas capazes de gerar eletricidade de forma contínua, a tecnologia de Sistemas Geotérmicos Avançados (EGS) volta-se agora para o foco das gigantes da tecnologia, como Google, Microsoft e Meta, que firmaram acordos estratégicos nos últimos dois anos com desenvolvedores de energia geotérmica.
Tradicionalmente, a geotermia comumente utilizada limita-se a poços rasos, enquanto a nova abordagem EGS promete acessar fontes de calor em profundidades de até 5 km, criando reservatórios artificiais onde antes não havia. Essa mudança de paradigma é atraente especialmente em um momento em que a demanda de energia limpa e confiável cresce devido à expansão dos centros de dados que sustentam a inteligência artificial.
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), os Estados Unidos têm pelo menos 7 terawatts de potencial geotérmico inacessível a menos de 5 km de profundidade, o que coloca a geotermia como uma alternativa atrativa frente a outras fontes renováveis que precisam de armazenamento e suporte.
Empresas como Sage Geosystems e XGS estão na vanguarda dessa inovação, testando diferentes métodos de extração de calor. A primeira utiliza poços emparelhados que alternam entre produção e recarga, enquanto a segunda opta por um circuito fechado que não requer água. Ambas visam garantir a entrega de energia estável e econômica, com a Meta apostando em um projeto com a Sage que pode começar a operar em 2027.
No entanto, esses projetos enfrentam barreiras significativas. O custo e o risco de perfuração profunda, somados à burocracia no processo de licenciamento, podem retardar a implementação em uma área já saturada de urgente necessidade de capacidade energética. A concorrência com opções consolidadas, como a energia solar combinada com armazenamento, também representa um desafio.
Enquanto os “hiperescalares” buscam injetar a energia geotérmica na rede elétrica, a co-localização – construir centros de dados próximos aos poços geotérmicos – é considerada uma estratégia promissora a longo prazo. Se a geotermia EGS conseguir se estabelecer como entrega confiável de energia, poderá se tornar um pilar na sustentação do futuro tecnológico, permitindo que megadados sejam processados de maneira eficiente e sustentável.






