Microsoft inova na interconexão de centros de dados com tecnologia baseada em MicroLEDs
A Microsoft está avançando em direção a uma nova era na interconexão de centros de dados, apresentando um sistema inovador que se baseia em MicroLEDs e imaging fiber. A empresa acredita que um dos principais obstáculos para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) não se limita apenas aos chips, mas também está relacionado à maneira como os servidores se conectam dentro dos centros de dados. Este novo sistema, que pode ser comercializado com parceiros industriais até 2027, visa atender à demanda crescente por soluções de conectividade mais eficientes.
Atualmente, as interconexões predominantes dentro dos centros de dados apresentam desvantagens significativas. O uso de cabos de cobre, embora confiável e eficiente, só é eficaz em distâncias curtas. Por outro lado, a fibra óptica com laser é capaz de cobrir maiores distâncias, mas traz consigo um consumo de energia elevado e custos mais altos, além de ser suscetível a problemas de confiabilidade.
Desenvolvido pela Microsoft Research em Cambridge, em colaboração com as equipes de Azure Core e Microsoft 365, a nova tecnologia troca os laser por MicroLEDs comerciais e utiliza uma fibra de imagem, que, apesar de parecer um cabo comum por fora, contém milhares de núcleos em seu interior. Isso permite o transporte de múltiplos canais em paralelo dentro de um único cabo, oferecendo uma abordagem que se afasta do modelo tradicional “estreito e rápido” para um “largo e lento”, capaz de reduzir complexidade e consumo.
A pesquisa, que suporta este projeto, revela que o novo sistema alcança uma distância dez vezes maior do que o cobre, reduz o consumo energético em até 68% em comparação com algumas opções ópticas atuais, e oferece uma confiabilidade cem vezes superior aos links ópticos convencionais. O protótipo apresentado opera com 100 canais ópticos, cada um a 2 Gbps, e pode escalar até 800 Gbps ou mais em distâncias de até 50 metros.
Este desenvolvimento é crucial, uma vez que a infraestrutura de IA demanda cada vez mais uma conexão eficiente. À medida que o número de GPUs por rack e a densidade de computação aumentam, as redes internas tornam-se um limitador. A Microsoft observa que, atualmente, a quantidade de aceleradores em um único rack precisa ser concentrada devido às limitações de distância do cobre, o que complica a refrigeração e a escalabilidade.
Além disso, a empresa concluiu com a MediaTek e outros fornecedores um protótipo para miniaturizar essa tecnologia, que pode ser integrada em um módulo compatível com o equipamento existente, simplificando sua adoção. A inovação também se soma à tecnologia Hollow Core Fiber, que transporta sinais por um núcleo vazado, aumentando a velocidade de transmissão e reduzindo a latência, complementando a nova solução MicroLED para estratégias de interconexão em diferentes distâncias.
Embora essa nova tecnologia ainda esteja em fase de desenvolvimento, a Microsoft demonstra sua ambição em resolver um dos principais desafios da IA: a movimentação eficiente de dados. Com sua comercialização prevista para 2027, a empresa está apostando que a competitividade futura não dependerá apenas do poder de processamento, mas também da eficácia da infraestrutura de rede que permite que essas operações de cálculo ocorram sem restrições físicas.






