A disputa pelo domínio tecnológico entre Estados Unidos e China volta a ganhar destaque, com a NVIDIA assumindo um papel crucial e a GPU H200 se tornando um importante ponto de negociação. As recentes movimentações políticas na Casa Branca revelam que, embora o controle sobre quais aceleradores podem chegar ao mercado chinês seja uma prática comum desde 2022, agora existe uma “janela limitada” que permite a exportação da H200 para “clientes aprovados”, impondo condições adicionais e tarifas.
A H200, parte da arquitetura Hopper, é considerada a GPU mais potente que pode ser legalmente importada para a China, especialmente enquanto a nova geração Blackwell permanece fora do alcance. O resultado imediato desse cenário tem sido um aumento das conversas entre empresas tecnológicas chinesas, como Alibaba e ByteDance, e a pressão para expandir a produção resulta nesse clima de urgência.
Entretanto, o governo dos EUA não deixou essa nova permissão sem regulamentações. Para cada venda da H200, é prevista uma taxa de 25% sobre os lucros para o governo americano, além de um controle rigoroso das condições de exportação. Essa decisão reforça a estratégia dos EUA de não apenas limitar o acesso dos chineses a tecnologias de ponta, mas também de monetizar tal acesso.
A reação de Pequim não é de inação. Segundo relatos de imprensa, autoridades chinesas realizaram reuniões urgentes com representantes das principais empresas de tecnologia para discutir suas previsões de compra e o controle estratégico das aquisições. Entre as estratégias em consideração, estão limites na quantidade de GPUs que podem ser adquiridas e um possível veto ao uso da H200 em setores considerados sensíveis, como finanças e energia.
A NVIDIA, por sua vez, enfrenta o desafio de lidar com esse aumento na demanda por H200 enquanto mantém o foco na produção de suas gerações mais novas. A empresa estuda a possibilidade de expandir a produção da H200, mas reconhece que isso pode impactar o suprimento de outras plataformas.
Esse episódio ilustra bem a atual rivalidade tecnológica: enquanto os EUA mantêm o controle sobre o acesso a tecnologias avançadas e ainda conseguem lucrar com isso, a China se vê diante de um dilema: precisa das capacidades de IA oferecidas pela H200, mas ao mesmo tempo luta para desenvolver sua própria autosuficiência tecnológica. O desfecho dessa situação permanece incerto, mas a tensão e a complexidade da relação entre as duas potências provavelmente continuarão a moldar o futuro do mercado de tecnologia.






