Nos últimos meses, o mercado de PCs tem apresentado sinais estranhos: quando a nova geração se torna excessivamente cara, os usuários nem sempre se conformam; às vezes, eles simplesmente retrocedem. Essa é precisamente a realidade que começa a se refletir na China. O aumento nos preços da memória DDR4 e DDR5 está reavivando a demanda por placas-mãe DDR3, criando um “retrocesso” que parecia impensável em meio ao boom da Inteligência Artificial.
De acordo com a imprensa especializada, no ecossistema chinês de montagem DIY (faça você mesmo), as vendas de placas DDR3 teriam aumentado entre duas e três vezes, impulsionadas por orçamentos mais apertados e pela alta geral nos preços de componentes-chave. Além disso, também se observa um aumento nas vendas de pacotes de placas + CPUs Intel da 6ª à 9ª geração, uma combinação que visa prolongar a vida útil do hardware e evitar os preços atuais do mainstream moderno.
O disparador dessa tendência é claro: a memória se tornou um gargalo de preços. A PC Gamer citou um dado que explica por que o consumidor está se tornando criativo: o preço médio “spot” dos chips DDR4 mainstream subiu 9,64% em uma única semana, passando de US$ 25,407 para US$ 27,857, entre os dias 7 a 14 de janeiro de 2026. Em um componente tão básico, um salto como esse tem um efeito dominó sobre todo o orçamento de um PC.
Diante dessa pressão, o mercado está experimentando algo semelhante a um “plano B” coletivo: muitos optam por aguardar com o que já possuem, comprar produtos de segunda mão ou simplesmente voltar a plataformas mais antigas onde ainda existe estoque e peças recicladas.
É importante destacar que o retorno à DDR3 não significa que essa tecnologia seja competitiva em desempenho em relação à DDR5. A interpretação correta é que DDR3 representa uma saída de emergência quando a escalada de preços é insustentável. Para muitos usos diários — como edição de texto, jogos leves, eSports em configurações baixas ou PCs de estudo — uma plataforma antiga pode ainda ser suficiente, embora com limitações claras.
Surpreendentemente, não são apenas os usuários que estão se adaptando: algumas marcas estão reativando ou expandindo sua oferta em plataformas mais antigas para atender à demanda por montagens acessíveis. A Tom’s Hardware observou que estão surgindo novas placas DDR4 e que há um ressurgimento do interesse por alternativas “last-gen” como forma de contornar os altos custos atuais.
Entretanto, essa tendência também apresenta riscos e limitações. O suporte, a BIOS e a real disponibilidade de CPUs e plataformas descontinuadas dependem fortemente do vendedor e do mercado de segunda mão. Embora comprar um PC antigo possa ser uma economia inicial, ele pode se tornar mais caro em termos de eficiência energética, especialmente se utilizado por muitas horas. Além disso, a compatibilidade com tecnologias atuais e a confiabilidade dos equipamentos de segunda mão são grandes preocupações.
O aumento da demanda por placas DDR3 não parece ser uma moda passageira, mas sim um sintoma de tensão no mercado: quando os preços de memória e outros componentes se acentuam, os consumidores começam a buscar alternativas mais acessíveis. A China, devido ao seu volume, ecossistema industrial e cultura DIY, é um indicador que pode antecipar ou amplificar tendências que se refletem em outras regiões.
Se os preços da DDR4 e DDR5 continuarem instáveis, o que se espera é a consolidação de um “caminho acessível” paralelo: PCs reciclados, pacotes, plataformas anteriores e um aumento na demanda por peças recondicionadas. Este cenário, longe de ser o ideal, pode ser a única opção viável para muitos dentro de um contexto orçamentário restrito.





